Dentro das ciências ocultas, talvez um dos temas mais nebulosos e, até mesmo, geradores de divergências, é aquele que trata do “Estado de Jinas”.

Poderemos observar que algumas escolas esotéricas possuem um conceito diferente uma da outra. Algumas explanam que tal Estado não passa de projeção astral, outras que é o próprio corpo físico modificado dimensionamente. O movimento gnóstico de Samael A. Weor, preconiza que tal estado de realiza através de uma transformação bioenergética, através da qual o corpo passaria a habitar no hiperespaço, em uma quarta dimensão.

A visão, dentro dos padrões esotéricos é que tal Padrão é alcançado somente através da iluminação espiritual. Pois para o esoterismo a quarta dimensão seria o Plano Astral e seus inúmeros sub-planos. E não em uma dimensão extra entre o Astral e o Físico.

Um ser que tenha alcançado a iluminação, ou a comunhão plena com Deus, possui pleno domínio sobre as mais sutis energias que compõe o universo, e consequentemente a capacidade de sutilizar a matéria, assim como também densificá-la através do processo chamado materialização.

Possui, portanto, o Poder Criador, e através dele transforma as energias, modelando e remodelando aquilo que sinta a necessidade de realizar.

Através deste poder advindo da sua plena comunhão com o divino, tal “ser iluminado” consegue simplesmente transformar seu corpo físico, sublimando-o, em uma modificação plena das partículas que plasmam  seu invólucro outrora material. O Estado de Jinas é, pois, a total modificação ou transformação daquilo que é físico em energia da mais plena sutileza. Conferindo a capacidade de “materializar”, “desmaterializar”, vencer qualquer barreira de distância, e adquirir qualquer outra forma desejada.

Tal estado não necessita que ocorra a morte física do adepto, pois ele possui o poder de transformação dentro de qualquer outro plano de existência.

Histórico ou não, é o caso de Jesus, que segundo os evangelhos canônicos, transfigurou-se em vida, rematerializando deu corpo físico, e, após sua “morte” retomou a sublimação, ou o Estado de Jinas, através do qual se apresentou aos seus apóstolos, muitas vezes em forma diferente, não se fazendo reconhecer

É também o caso do misterioso Yogue Babaji, que levou seu discípulo Lahiri Mahassaya a um templo que simplesmente surgiu diante de seus olhos. Babaji através deste Estado surge muitas vezes no norte da Índia, cumpre sua missão é depois retorna em sua secreta morada, não no Astral, nem em qualquer pressuposto “hiperespaço”, mas nos planos superiores, nirvânicos.

Existem, segundo a teosofia, localidades em Estado de Jinas, que podem ser visitadas por seres humanos, assim como o templo aonde Babaji conduziu seu discípulo, idealizador do Kriya Yoga.

Diferentemente do Estado de “Tulku”, o Estado de Jinas constitui o próprio adepto, e não sua duplicata como no primeiro caso. Um ser iluminado é aquele que está em Deus e Deus está nele, comungando além da essência de luz e de força, o poder inerente àquele que suprimiu a própria natureza humana.

Existem, contudo, Estados de Jinas que não são permanentes, que ocorrem em indivíduos que estão próximos à iluminação sem ter, entretanto, alcançado tal estado em sua plenitude. Tais adeptos momentaneamente podem fazer as transmutações, retornando, porém, ao seu estado de natureza física.

Existem seres iluminados que simplesmente abandonam seu corpo físico, é a matéria deste retorna ao mundo físico que a engendrou. Outros, porém, sublimam seu corpo, permanecendo em tal Estado.

A razão desta “permanência” é auxiliar a humanidade na intimidade deste mundo material onde sua “presença” é necessária.

Contrariamente àquilo que algumas escolas de ocultismo costumam argumentar, os Magos Negros jamais alcançam a capacidade de adentrar no Estado de Jinas; o que eles possuem é o grande poder de desdobramento e projeção astral, justamente porque Jinas é uma condição superior, sublime e luminosa, totalmente diferente daqueles que ainda possuem o ego a determinar seus padrões comportamentais.

Tal Estado é uma condição alcançada por aqueles que suprimiram a condição humana, do “eu” inferior. Não são “gotas d’água no oceano”, mas como já disse Osho, “são o Próprio Oceano”.

Práticas Jinas.

(NOTA: Conforme os ensinamentos gnósticos de V.M. Samael)

“À noite, achava-se a barca no meio do lago, e ele (Jesus), a sós, em terra. Vendo-os fatigarem-se em remar, sendo-lhes o vento contrário, foi ter com eles pela quarta vigília da noite, andando por cima do mar, e fez como se fosse passar ao lado deles.

À vista de Jesus, caminhando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma, e gritaram; pois todos o viram e se assustaram. Mas ele logo lhes falou: “Tranquilizai-vos, sou eu, não vos assusteis!” (Mt 14, 29-31: Pedro tomou a palavra e falou: “Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti!“ Ele disse-lhe: “Vem!“ Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus. Mas, redobrando a violência do vento, teve medo, e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” No mesmo instante, estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse: “Homem pobre de fé, por que duvidaste?”) E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou. Todos se achavam tomados de um extremo pavor, pois ainda não tinham compreendido o caso dos pães; os seus corações estavam insensíveis.” (Mc 6, 47-52)

Após esse relato bíblico sobre as práticas jinas, vamos iniciar esse tema. O estado de jinas nada mais é do que levar o corpo físico para a quarta e até para a quinta dimensão.

Há três portas metafísicas: o sono, o sonho e o êxtase.

Quando nos utilizamos da porta metafísica do sonho, adentramos à quinta dimensão, ou mundo astral. Assim, aquele que adentra ao mundo dos sonhos de maneira consciente, ou seja, aquele que vive a realidade no mundo dos sonhos, consegue o desdobramento astral consciente. A isso damos o nome de despertar consciência na quinta dimensão.

Lembremos que o despertar da consciência acontece de maneira gradativa. Primeiro despertamos a consciência no mundo físico, depois no astral, e assim por diante.

O mundo jinas, ou quarta dimensão, é o mundo etéreo, ou Éden. Nestes paraísos edêmicos vivem populações inteiras. Na quarta dimensão não existem somente templos Jinas Brancos, mas perigosíssimos templos de Jinas Negros. Mas o coração tranqüilo nada teme. Moisés adentrou nestes paraísos quando deixou o mundo físico. São Francisco voava pelos ares utilizando precisamente a porta jinas. Padma Sambaba ensinava seus discípulos a voar com seus corpos físicos. Etc. E isso tudo pode e deve ser constatado por todo estudante esoterista prático. A chave está precisamente no sono e no domínio das forças subconscientes. O chacra cardíaco quando se desabrocha cheio de amor, nos faz transportar automaticamente para a quarta dimensão, caso misturemos tudo com sono.

A meditação diária faz com que o chácara cárdias vá se desabrochando.

A concentração no coração, pelo menos uma vez ao dia, é fundamental para o desenvolvimento deste chacra tão importante para o sucesso, tanto das práticas jinas, quanto o desdobramento astral. Pratiquemos, pois, seja o mantram ‘O’ concentração no coração, seja a concentração direta no coração, conforme ensinamos em capítulos passados. Há outra prática de concentração no coração passada pelo V.M. Samael, que é assim: deitados, ou sentados confortavelmente, concentremo-nos nas profundezas do coração. Ali veremos, raios, trovões, nuvens sendo arrastadas por grandes ventanias, meditemos em tudo isso; depois veremos na grande imensidade das profundezas do nosso coração muitas águias voando; em seguida um amplo bosque cheio de vida, sol, canto de pássaros, meditemos mais, chamando sempre o sono; no centro deste bosque há um trono de ouro, onde senta uma adorável Deusa.

Não obstante, a maneira mais eficaz de despertarmos o cárdias é aprendermos a viver em estado de RECORDAÇÃO DE NÓS MESMOS, seguido de MORTE EM MARCHA DE INSTANTE EM INSTANTE, DE MOMENTO EM MOMENTO. Lembram que recordação de nós mesmos quer dizer: lembrarmo-nos que somos a alma e não os egos? Isso posto, lembremos que a sede da alma é o CORAÇÃO TRANQUILO. É dali que parte a vontade e também a observação de nós mesmos, com a prudência de mantermos a mente calada, sob a direção da consciência. Não nos estamos pronunciando contra a mente, apenas asseveramos que a mente não é o carro chefe. A alma é quem deve controlar e guiar a mente. “Sem amor uma mente não serve para nada, apenas para causar danos aos demais“. A cultura intelectual também não é uma coisa negativa, se crescer à medida em que a alma cresça. Assim, temos que equilibrar muito sabiamente o desenvolvimento do Ser, o qual se faz com o trabalho dos TRÊS FATORES DE REVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA (Morrer, Nascer e Sacrifício pela Humanidade), com a cultura. No entanto, a mente facilmente se fascina e tenta tomar o controle, passando a querer traduzir tudo que leu e, autoritariamente, tenta induzirmos a que acreditemos que ela sabe de tudo. São os egos dirigem este fenômeno. É urgentíssimo eliminar até a raiz do egos, de nossos defeitos, de nossos erros. A Verdade pertence ao caminho do meio, ao silêncio total da mente, à ausência total de atuação dos egos. A verdade é o que é. As vezes a verdade é o inimaginado, o inverossímil. Assim, para não perdermos tempo e nos enganarmos é prudente investigarmos a verdade por nós mesmos de forma direta. A mente é como um cavalo indomado. Temos que ter muito cuidado com ela. Nós é que temos que controla-la completamente e não vice-e-versa. Temos que nos esforçar para que durante o dia seja a alma quem controle e observe a mente e não um ego qualquer. A boa cultura intelectual serve para que possamos traduzir com discernimento aquilo que a consciência observou de maneira ativa. A Essência é a pureza em nós, a ausência de tendências pessoais, caprichos, erros, negatividades, etc, etc, etc. Saber que o fogo queima e o arame farpado rasga é fundamental, por exemplo. A mente dos Mestres é flexível, tem o poder de compreende tudo intuitivamente e instantaneamente e está forrada da Luz do Espírito Santo, porque o sábio soube levar seu candeeiro até a parte superior de seu ser, quem tenha ouvidos para ouvir, ouça. Por isso a mente de um sábio pode imaginar (ver com clareza) aquilo que irá criar, com sabedoria. A sabedoria verdadeira vem de Deus. Ele sabe tudo. À mente somente cabe compreender o que Ele já sabe. O coração tranqüilo a tudo penetra. A mente compreende. A mente completamente desenvolvida de um Mestre autêntico tem poderes inimaginados. Por fim, asseveraremos novamente: A SEDE DA ALMA É O CORAÇÃO TRANQUILO. ELIMINE ATÉ A RAIZ DO EGO, RENASÇA EM SI MESMO E SACRIFIQUE-SE PELA HUMANIDADE; AÍ ENTÃO SERÁ UM MESTRE DE SABEDORIA AUTÊNTICO.

Depois de solucionado os nossos problemas com os sentimentos superiores, passemos à técnica do desdobramento Jinas. A técnica em suma, reside em nos tornarmos espiões dos processos de nosso sono. Alia-se a isso uma oração. Pode ser essa: com todo amor e devoção oremos à Mãe Natureza “Oh, Mãe Natureza, tu que és a artífice deste corpo físico, carrega-me com meu corpo à quarta dimensão”. Existe outra oração maravilhosa que é assim: “Felipe, Felipe, apóstolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, carrega-me com meu corpo físico, ao céu, ao Céu, ao Céu“. São orações simples assim. O que conta é coração leve como uma pluma e a mente calada.

Quando sentirmos o corpo inchar de maneira significativa dos pés a cabeça, quando o sono nos queira tentar a virarmos de lado, levantemos com naturalidade da cama, mantendo o sono, pois ele é o nosso tesouro nestes instantes e demos um saltinho com a intenção de voar.

Namastê

Revisão: SR.Black

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