A ALTA MAGIA

A Magia é a ciência dos segredos da Natureza. Para que ela funcione apropriadamente, um Bruxo deve trabalhar sempre em perfeita harmonia com as Leis da Natureza e da psique. Magia é a ciência e a Arte. Ao contrário do que as pessoas pensam, Magia não é fazer Rituais que interfiram na vida das pessoas, mas sim trabalhar com as energias da Natureza, do Universo e do próprio homem. Com o equilíbrio dessas energias vivemos em harmonia com a vida. A Magia é mais antiga que o Cristianismo, sendo a principal filosofia de diversas civilizações antigas.

 

Na Magia existem vários tipos de Sistemas e Níveis diferentes.

Sendo assim, o estudo da magia exige uma grande dedicação para ter-se um bom conhecimento. A Alta Magia é muito confundida com a Teurgia, mas a Alta Magia trata da Magia Utilizável e a Teurgia trata da Magia Existente. A religião, em suas manifestações exteriores, não seria outra coisa além da Alta Magia Cerimonial. Por isso muitas pessoas comparam a religião e a Alta Magia. Dentre as mais difundidas, a Alta Magia repousa sobre o princípio de que, na natureza, há forças ocultas que são denominadas fluidos. Esses fluidos são de três naturezas:

Magnética e puramente terrestre;
Vital e principalmente humana;
Essencial e geralmente cósmica.

As energias consideradas pela Alta Magia podem ser utilizadas sob quatro formas:

A – Microcosmo:

1º – O homem atuando sobre si mesmo.

2º – O homem atuando sobre o seu mundo exterior.

(Se referem aos fluidos de que o homem pode dispor)

B – Macrocosmo:

3º – Os fluidos atuando no astro (a Terra).

4º – Os fluidos atuando fora do astro (no sistema solar).

(Se referem aos fluidos espalhados na natureza)

Cada uma das quatro formas podem funcionar de duas maneiras:

Magia Pessoal: Quando o fenômeno se opera sem o auxílio de qualquer rito exterior.
Magia Cerimonial: É o contrário da Magia Pessoal.

 

Classificações da Magia

– A Teurgia, ou Magia Iniciática – é muito secreta e desconhecida por exigir do operador aptidões excepcionais;

– A Alta Magia, ou Magia Usual – exige um desenvolvimento intelectual juntamente com o desenvolvimento psíquico cuja utilidade se impõe;

– A Feitiçaria, que a maioria dos buscadores toma pela Magia única ou original – emprega meios tradicionalmente transmitidos.

Ao contrário do que se poderia imaginar, as operações que não exigem dons excepcionais são aquelas classificadas entre as mais elevadas em Alta Magia. As operações que exigem do operador aqueles dons excepcionais encaixam-se mais particularmente no quadro da Magia Comum, do qual faz parte a Magia Pessoal.

A operação mágica consiste no emprego de uma forma de energia cósmica, com a finalidade de obter-se um resultado, sobre um ponto preciso. Assim, ela implica um operador. Tal operador pode não ser uma pessoa física, mas uma pessoa moral e pode ser também uma personificação. Daí originou-se a Primeira Regra: “Nenhuma operação mágica pode ser efetuada sem a intervenção de uma Inteligência”. Esta inteligência aplica-se tanto a um ser humano ou uma coletividade humana, como a uma personificação de energias ou a uma coletividade fluídica.

O Mago e algumas considerações

Atualmente o termo mago é usado para aqueles que passaram pelas operações mágico-ritualísticas, de forma prática, então cognominados magistas. O mago já não precisa de ponto de referência, ele usa sua vontade para agir e dirigir no mundo da Lua Astral. O magista, ainda em processo iniciático de desenvolvimento, requer a ajuda e o treinamento de rituais mágicos com pontos de referências.

Use a Magia de maneira sábia, cautelosa e somente de maneira positiva. A Magia é algo muito sério e nunca deverá ser abusada ou tratada como um jogo de salão ou brincadeira. Nunca utilize qualquer forma de Magia para manipular a vontade e/ou as emoções de outra pessoa.

Como o carma retorna por três vezes para todas as pessoas pelos seus atos nesta vida, seria atitude de autodestruição para qualquer Bruxo ou Mago utilizar a Magia Negra para causar danos a alguém. Quando estiver lançando um encantamento, concentre-se sempre profundamente e coloque claramente em sua mente aquilo que você precisa ou deseja.

Alta Magia e Baixa Magia

Dois tipos de magia são discriminados pelos estudiosos de todas as épocas: a Alta Magia e a Baixa Magia.

Jamais devem ser confundidas com magianegra ou magia branca, que se tratam de tipos de magia arbitrariamente designados como tal pela idiossincrasia da moral de quem as trata assim.

Baixa Magia seria a magia de cunho terrestre, geralmente pagã (na acepção etimológica original da palavra: “do campo” e não como posteriormente adotada “não cristão”) é baseada no desregramento dos sentidos. É baseada na carne, na terra, no suor, no sangue. É o tipo de ritual praticado pelas tribos ditas “primitivas” e pelos cultos afro-americanos em geral.

Alta Magia seria a magia do controle, a magia do domínio da realidade pelo homem.

É um tipo de magia intelectualizada e fria, baseada no “puro espírito”, ou melhor, na separação platônica da carne e do espírito. O Mago escraviza entidades, ordena coisas, e para tal tem que ser controlado tanto por dentro quanto por fora.

O Mago Cerimonial (de Alta Magia) é um sujeito que pratica a abstinência dos prazeres corporais, pois só pode dominar o macrocosmo se seu microcosmo estiver dominado.

A missa é um exemplo de ritual de Alta Magia, no sentido de que o padre prega, faz sermão, amedronta, os outros participantes do ritual.

Eles comem a carne e bebem o sangue de cristo (resquício pagão) e recebem o Espírito Santo.

Tudo muito frio e ordenado, baseado no dogma de um livro.

(A missa já foi ainda mais cerimonial e cheia de etiqueta, mas um concílio resolveu popularizar o ritual, trocando o latim e o padre de costas pela conversa franca e ameaçadora de um padre regendo pessoas).

Na verdade a maioria dos magos cerimoniais eram padres ou abades.

Eliphas Levi é o maior exemplo.

Existe um sistema, um dogma, comum entre ocultistas modernos, que prega a sucessão éonica.

Éons seriam períodos de tempo regidos por uma divindade ou característica dominante. Assim, períodos de tempo grandes, mais ou menos 2000 anos, recebem um rótulo, uma divindade, um signo zodiacal, uma característica política, social e uma característica religiosa dominante.

Não vou aqui discutir a propriedade do sistema, pois de certa forma ele pode ser entendido de diversas formas e em alguns casos fica evidente.

Acredita-se que o presente éon começou neste século ou está por começar, e as características desse Novo éon ainda são enevoadas.

O que pretendo aqui é associar os “estilos” de magias com seus respectivos éons, e delinear o que pode ser o novo tipo, o que pode ser a magia da “Nova Era”.

O primeiro éon (da época histórica) seria o da Deusa, como geralmente a iconografia é egípcia (a idéia de “Aeons” seria originalmente egípcia), Ísis ou Nut ficam como regentes desse período.

Geralmente se atribui uma organização social matriarcal a este período, mas esta idéia é historicamente incorreta.

A organização era tribal ou em clãs, em geral patriarcais mesmo.

(Algumas sociedades já tinham até um estado semelhante ao moderno, mas baseado em dinastias, como o Egito. Na verdade o Egito e o Oriente Médio nos deram a religião e a organização social do próximo éon, o de Osíris, e mesmo hoje existem tribos que vivem no éon de Ísis, os compartimentos não são estanques.)

Os homens que viviam em meio a natureza abundante ainda não tinham desenvolvido agricultura, simplesmente colhiam as dádivas da Deusa.

Politeísmo, amor filial, culto da terra, etc, como valores essenciais.

Não se conhece muito a respeito das culturas verdadeiramente do éon de Ísis simplesmente porque elas não dominavam a escrita.

O segundo éon se atribuiu ao deus Osíris.

E é basicamente o que conhecemos por cristianismo, feudalismo, patriarcado, exploração indômita da terra, organização rígida, medo como método de coerção social, “progresso” científico, absolutismo, etc.

Neste século ocorreu uma mudança mais brusca do que nos outros éons.

O mundo está mais unificado e age mais em conjunto, apesar das diferenças.

Todo o progresso científico gerou uma revolução a nível psicológico-antropológico muito maior do que nós, que só conhecemos isto, podemos notar.

Crianças só conhecem leite de caixinha, e só viram vacas pela TV.

A família se dissolveu, os núcleos familiares são cada vez menores.

As pessoas jovens são essencialmente não religiosas e adogmáticas.

Isso é visto como catástrofe por muitos.

Na verdade qualquer transformação é dolorosa, mas não podemos ser pupas para sempre.

Não é possível, hoje em dia, ser sincero com relação a rituais sazonais, de colheita, etc .

O homem moderno não depende mais da capina, ele compra no supermercado.

Ele devia fazer rituais quando os preços subissem, e não quando a estiagem chegasse, se fosse o caso.

O movimento neopagão cresce a cada dia, mas está fadado ao anacronismo, nós perdemos o contato com a terra.

Faz mais sentido ir a um show de funk do que girar em volta de uma fogueira pedindo para que não falte milho.

O individualismo não permite mais religiões de massa.

A religião do futuro ou é a ausência de religião ou uma religião individualizada.

As pessoas não precisam mais serem aceitas em seu grupo social para sobreviverem, como antigamente.

As pessoas não dependem mais dos filhos para comerem, portanto não precisam de muitos filhos.

Controlamos nossa fertilidade.

Isso é um marco pouco percebido.

A TV foi a última e grandiosa manifestação do éon passado, com sua pregação par a as massas.

Em pouco tempo, via Internet, ninguém vai assistir a mesma novela que o vizinho, a diversificação vai ser tamanha que vai ser impossível passar uma mensagem coerente no sentido de um conspiratório e paranóico domínio das massas.

Enquanto a Baixa Magia ressurge em alguns movimentos, como num canto do cisne, a Alta Magia morre.

Ninguém mais agüenta uma ladainha fora da realidade como a que acontece nas Igrejas, ninguém agüenta aprender hebraico e grego para chamar espíritos, estudar cabala, e ficar fazendo pose de sério dentro de um círculo.

As pessoas estão cínicas e irreverentes demais para isto.

Se sentiriam ridículas fazendo isso.

O futuro da magia está na física quântica e na realidade virtual.

A catarse das raves prova que o homem não deixou o corpo para trás, como se esperava no éon passado. Informação é o poder do Mago moderno, que não trabalha nem com a pena tampouco com a espada, trabalha com o teclado, à velocidade da luz.

O mago não trabalha na inocência ou na ordem, trabalha no Caos.

E que fique entendido que isso não é evolução, progresso, melhoria.

É transformação, como da pupa para borboleta ou de ser vivo para cadáver putrefato.

“Magia é a Ciência Natural desconhecida”

(Karl du Prel)

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Revisão: SR.Black

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