Quarta Parte – A Busca do Prazer – O Desejo – A Perversão pelo Pensamento -A Memória – A Alegria

Assim, se puderdes olhar todas as coisas sem permitir a intrusão do prazer – olhar uma rosa, uma ave, a cor de um sari, a beleza de uma extensão de água rutilando ao sol, ou qualquer coisa deleitável – se puderdes olhar assim, sem desejardes que a experiência se repita, então não haverá dor, nem medo e, por conseguinte, haverá uma alegria infinita.
É a luta para repetir e perpetuar o prazer que o converte em dor. Observai isso em vós mesmo.
A própria exigência da repetição do prazer produz dor, porque ele nunca é a mesma coisa de ontem. Lutais para alcançar o mesmo deleite não só para o vosso senso estético, mas também para a vossa mente, e ficais magoado e desapontado, porque ele vos é negado.

Já observastes o que acontece quando vos é negado um pequeno prazer?

Quando não tendes o que desejais, vos tornais ansioso, invejoso, rancoroso.
Já notastes que quando vos é negado o prazer de fumar ou de beber, o prazer sexual ou outro qualquer – já notastes as lutas que tendes de sustentar?
E tudo isso é uma forma de medo, não é verdade?
Tendes medo de não obter o que desejais ou de perder o que possuis.
Quando uma dada fé ou ideologia que cultivais há muitos anos é abalada ou vos é arrebatada pela lógica da vida, não tendes medo de vos verdes só?
Essa crença vos proporcionou durante anos satisfação e prazer, e quando vos é retirada ficais desgovernado, vazio, e o medo perdura até achardes outras formas de prazer, outra crença.
Isso me parece muito simples, e, por ser tão simples, não queremos ver a sua simplicidade.
Gostamos de complicar tudo.
Se vossa esposa vos abandona, não sentis ciúme?
Não sentis raiva?
Não odiais o homem que a seduziu?
E que é tudo isso senão o medo de perder o que vos dava muito prazer, de perder essa companhia, perder aquela segurança e satisfação conferidas pela posse?
Assim, se compreendeis que quando se busca o prazer tem de haver dor, podeis, se vos aprouver, viver dessa maneira, porém com pleno conhecimento do passo que estais dando.
Se, entretanto, desejais pôr fim ao prazer, o que significa pôr fim à dor, deveis estar completamente atento à estrutura total do prazer; mas não deveis repeli-lo, como o fazem os monges e os sanyasis, que não olham para uma mulher porque é pecado e, dessa maneira, destroem a vitalidade da própria compreensão: porém, cumpre ver todo o significado e importância do prazer.

Encontrareis então infinita alegria na vida.

Não se pode pensar na alegria.

A alegria é uma coisa imediata e se nela pensais a converteis em prazer.
Viver no presente é a percepção imediata da beleza e o grande deleite que nela se encontra, sem dela procurar extrair prazer.

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