Gostaria de sugerir esse vídeo como introdução do assunto.
A Vida é a Escolha entre Amor ou Medo

Veja que é “antinatural” qualquer estrutura que fragmente o grande fluxo da vida. E sendo antinatural, não pode haver a unidade, não pode haver a volta ao Uno. E nada é mais distorcido que o medo. Sua essência é a própria poluição da naturalidade da existência.

Logo, a evolução não se dá através de uma distorção, não se dá através do medo.

Sendo a evolução o expandir da matéria a fim de que ela se una com a própria Divindade.
Nada que contraia pode conter ou dar ignição a essa evolução.

O medo é um agente da contração.

Então, quem alimenta ou espalha o medo não apenas está estagnado, como também está ajudando a estagnação das pessoas ao redor. É um atentado contra a própria vida.

Perceba que não há evolução através do medo, e isso ocorre nas duas viasno sentido de quem o propaga e no sentido de quem o alimenta.

Se há um mito moderno sobre evolução, é justamente a ideia de que a pressa e o medo podem auxiliar num possível abrir de olhos. Mais que um mito, é pura ignorância.

Se a raiz de um processo está corrompida, todo o processo também o estará. Deste modo, a própria ideia de que há evolução através do medo só pode existir em uma mente poluída e preenchida pelo mesmo sentimento. Aqui então está o equívoco de um pseudoconsciente, cuja ignorância, no sentido de desconhecimento, induz o “pequeno eu” à falsa impressão de evolução.

A proposta para que isso possa ser revertido é o reconhecimento não apenas do erro, mas também da própria ignorância. Todavia, isso não é possível de acontecer a menos que haja um Impacto. Em não havendo a faísca causadora de uma mudança de visão, difícil será para que a pessoa egoica/ególatra reconheça sua estagnação.

Não há problema em cometer erros, erros são os portais para a descobertas, como Carl Jung disse “erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é”. Assim como não há problema em ter medo, tudo isso faz parte do processo. O problema está em se manter preso em um ponto de vista, estagnado na mesma perspectiva, impedindo o fluxo de consciência, é estar preso em um ciclo vicioso, caçando o próprio rabo, inconsciente de si mesmo e de toda magnificência da existência acontecendo a sua volta.

Aquele que é consciente não morre;
Aquele que é inconsciente já está morto.
O Dhammapada

Pois a raiz fundamental de uma evolução consciente está justamente na purificação dos sentimentos. Logo, o amor é a base de qualquer processo evolutivo. Estou falando de amor não no sentido de relação sexual, ou no sentido de atração emocional ou intelectual, ou uma “troca de energias”. O amor que estou falando não é a fome do coração pelo afeto, mas sim uma poderosa vibração vindo direto da Fonte.

É a percepção do que você realmente é, e portanto também é a percepção da conexão que existe entre tudo. Eckhart Tolle colocou dessa maneira, “amor é simplesmente reconhecer o outro como sendo você próprio, o reconhecimento da unidade é amor”.

Mesmo não havendo total conhecimento de que sua presença está dentro de você, se neste instante o seu caminho é mais harmônico que outrora, significa que em breve você terá essa noção e perceberá o amor fluindo através do seu Ser.

Mas note que ao conhecer um sacerdote do medo, alguém que se apraz, mesmo que inconscientemente, em propagar o medo, você não deve tentar mudá-lo por caminhos diretos. Devido à complexidade em que se encontra a mente deste alguém, o mais sábio será manter-se neutro e possivelmente distante.

Alteração da pintura “O Grito

Quem vive pelo medo só tem olhos para o medo. Uma mudança de olhos se dará apenas quando o objeto que dá início ao processo se desfizer. Logo, o tempo e as situações que favoreçam essa percepção são o caminho para que o agente do medo se dê conta de sua total inconsciência. Pois isso, invariavelmente, é inerente apenas a ele.

Evite julgar aqueles que não seguirem o caminho que você julga certo, esteja consciente que você também poderia está na situação deles, com a perspectiva deles, por isso esteja presente em si mesmo, e julgue a si mesmo.

A única maneira de mudarmos algo no mundo é mudando a nós mesmos e servindo de exemplo. Não adianta julgar e punir as pessoas por coisas que nós mesmos fizemos, poderíamos ter feito e fazemos ainda. Estamos todos passivos a errar, pressionar alguém que errou não é produtivo, busque criticar apenas de maneiras construtivas, jamais para machucar. Não seja parte do problema, seja parte da solução, ao invés de derrubar, ajude a levantar.

Lembre-se que o perigo pode ser real, mas o medo é uma escolha.

Medo Concreto, Amor Abstrato

Cada criação mental, quando mantida consistente por determinado período, ganha vida no reino das ideias ou no reino das emoções. Logo, seus temores, suas angústias, seus apegos e suas raivas tornam-se concretos no seu campo existencial. Todo o seu poder, toda a sua energia preenche essas criações dando-lhes “vidas próprias”.

Assim, o ato de sua criação já está consumado. O que agora existe, não deixará de existir por si só, não irá desvanecer a menos que você interceda. Negar o que está feito é uma atitude inútil, pois sua criação mental/emocional continuará existindo e ligada a você. Não é porque você não vê que algo deixa de existir. E cedo ou tarde ambos vão se reencontrar e você sairá novamente ferido.

Estamos todos escondendo algo

O que você pode fazer é encarar seus medos, apegos, angústias e tristezas de frente. Olhá-los de forma convicta e reconhecê-los como existentes. Em seguida, comece então a procurar entender o porquê de sua existência, o porquê de sua origem, o porquê de você ainda estar vinculado a eles.

A menos que você entenda o porquê de tê-los criado, jamais poderá abstraí-los, transcendê-los, sublimá-los.

Se você tem um medo e este medo o está impedindo de continuar com sua vida, com seu processo evolutivo, é necessário então encará-lo. Não, você não deve lutar. A luta apenas perpetua a existência de sua criação mental. Havendo luta, haverá sofrimento e seus temores se alimentam de sentimentos densos. O que você deve fazer é decompor o seu medo, purificando-o, sublimando-o, tornando-o novamente abstrato, não mais concreto.

Transforme então o seu medo em algo positivo.

Use-o para superar a si mesmo, convertendo-o em coragem. Logo, ele deixará naturalmente de existir como uma criação concreta, pois seu poder se esvaiu ao se transmutar em algo mais sublime e excelso.

Se o seu medo é de ficar sozinho, enquanto você ainda estiver procurando por pessoas para lhe fazer companhia, ele continuará existindo concretamente em sua mente. O medo só deixará de ser medo quando se transformar em outra coisa.

De Sushi de Kriptonita

Assim, para purificá-lo, para desconcertá-lo diga: “Eu tenho medo de ficar sozinho, por isso eu amo ficar sozinho”. No instante em que você insere o amor no medo, este deixa automaticamente de existir. Mas veja que não é da boca para fora, é necessário ter a vontade e o sentimento verdadeiro para que essa alquimia de fato aconteça.

Eu tenho medo de altura, por isso estou louco para viajar de avião.
Não quero perder você porque eu não preciso de você.
Que bom que tenho medo da morte! Encontrarei um monte de amigos do outro lado!

Para desconstruir suas criações mentais é necessário que você abstraia qualquer linearidade, qualquer conceito objetivo a respeito delas, crie uma visão paradoxal. Isso é transformar o concreto em abstrato. É tirar todo o sentido intelectual/emocional de algo.

A Dualidade

Todas as negatividades são distorções de seu princípio original. Logo, a raiva é uma distorção da tranquilidade, o medo é uma distorção do amor, a tristeza é uma distorção da felicidadeVocê então deve purificar essas distorções, levando-as de volta às suas origens.

Obviamenteesse não é um processo rápido e fácilmas é essencial para que você se emancipe como divindade na matéria.

Conheça o seu medo e compreenda-o de maneira profundaNão busque vencê-lo, busque convertê-lo em sua contraparteTransforme o medo em amor, o apego em desprendimento, a raiva em tranquilidade, a tristeza em alegria. Ame estar com medo, apegue-se desprendido, tenha raiva pacífica, alegre-se com sua tristeza.

*

Vá alterando aos poucos as vibrações, acrescentando positividade na negatividade e quebrando a linearidade e o sentido de cada uma de suas criações. Deixe-as perplexas e confusas.

Pouco a pouco você começará a transcender seus temores de maneira pacífica, silenciosa e amorosa. Pois não se pode transformar nada de uma hora para outra. Isso é naturalmente inviável.

É necessária uma gota de cada vez para criar um oceano.

Assim é a evolução, assim é a alquimia interior.

* Na imagem: Krishna dançando sobre o naga Kaliya.

5 dicas para Transcender os Medos

Antes de mais nada, algo importantíssimo de se destacar é que essas dicas não se aplicam apenas ao medo, mas para qualquer desafio mental que você está passando, busque captar a essência dos ensinamentos e verá que entender os padrões em que a mente opera irá lhe ajudar a entender a si mesmo, as pessoas e a vida em geral, de uma maneira muito mais produtiva.

  • 1. Aceitá-lo

Engana-se aquele que crê poder superar seus temores renegando-os. Também se engana quem pensa em confrontá-los achando que irão terminar com eles através do conflito. Em ambos os casos o que existe é apenas a permanência do medo. Ele é uma criação perpetuada no reino das emoções, logo sua dissipação naturalmente não se dá por si só. Da mesma forma, confrontá-lo é realimentá-lo, pois é disso que ele vive.

Existe algo que suporta toda a matéria e tudo o que dela provém. É um fluxo constante, como a correnteza de um rio. Quando esse fluxo é bloqueado, diz-se que se está distorcendo a natureza da própria existência. Bem-aventurados são os que o compreendem e seguem-no em harmonia e paz. Quando isso é aprendido, o homem torna-se senhor de sua vida, pois não está mais contra a natureza.

Logo, ele compreende que para vencer o medo é necessário aceitá-lo, pois sendo sua própria cria, renegá-lo ou confrontá-lo é ferir o próprio filho. O medo existe e continuará existindo a menos que você o eduque e o transforme em algo melhor. Deste modo, reconhecê-lo como existente é o primeiro passo para instruí-lo corretamente, recolocando-o de volta a favor do Dharma, do fluxo da Criação.

  • 2. Conhecê-lo Profundamente

Dizia-se que na antiga arte da guerra, a tarefa principal do estrategista era a de conhecer o inimigo para então poder derrotá-lo. Aqui não há guerra, não há luta, não há conflito. Todavia, mesmo numa atitude pacífica ainda se faz necessário conhecer aquele o qual se deseje instruir. “Vencer o medo” é apenas uma alegoria. De fato, o que se pretende é purificá-lo, transformando-o em outra coisa.

Conhecê-lo não é apenas no reino da superficialidade, mas em todas as nuances na qual ele age e por quais razões o faz. É preciso desmistificá-lo, destrinchá-lo a fim de entendê-lo de maneira profunda. Sendo parte de você, sendo sua cria, o mínimo que lhe é pedido pela naturalidade da situação é que conheça seu filho.

Saiba por que ele surge, por que ele está sempre à espreita, por que você ainda não foi capaz de superá-lo. Conheça-o como a você mesmo.

  • 3. Desvendar Sua Origem
Representação do Observador e a Ilusão

Tudo o que é da matéria, tudo o que é do limitado tem uma origem. A própria manifestação tem uma origem. Logo, para instruir o seu medo a fim de sublimá-lo é necessário ir fundo e desvendar sua origem. Em algum momento o medo foi criado. No instante de seu nascimento, sua inconsciência permitiu que esta cria se tornasse senhora de seu criador, você. Volte no tempo e tente encontrar o momento exato em que o medo surgiu.

Isso abrirá seus olhos para uma nova perspectiva, a do observador distante. Entenderá, deste modo, o quão necessário ou tolo foi ao aceitar a vinda desta criação para sua vida, uma vez que os motivos, agora a olhos distantes, são infantis, e quem sabe, sem sentido.

Compreender a origem do medo é saber o ponto exato em que o sentimento da verdade, do não-medo, deixou de existir. E trazer de volta, ou reavivar, tal verdade, tal sentimento torna-se muito mais simples quando sabemos exatamente do que se trata.

  • 4. Entender Suas Implicações

O medo traz diversas implicações que só podem ser compreendidas quando se tem total aceitação sobre ele e total conhecimento a respeito de sua personalidade e origem. Logo, após estar ciente do que o medo é e de onde ele surgiu, você será capaz de olhar de forma contumaz e atenta para todos os efeitos colaterais advindos dele.

Entender essas implicações traz de volta a razão, uma vez que agora, consciente do que está acontecendo, pode-se compreender que nada do que se origina do medo deveria estar presente em sua vida. A paranóia, a ansiedade, a irritação, a reclusão, o cansaço, a ignorância, tudo isso são implicações do medo. Identificá-las só é possível através dos três estágios citados acima.

Logo, fica bastante evidente que não existe nenhum benefício para que o medo continue instalado em sua vida. Essa constatação não é superficial ou mental, mas profunda. Aqui já se está pronto para sublimá-lo.

  • 5. Positivá-lo

Uma vez que esteja completamente consciente de que o medo não tem mais motivos para estar em sua vida agora, o próximo passo é de uma simplicidade absurda. Trata-se de olhá-lo profundamente nos olhos e amá-lo verdadeiramente. Isso só é possível após aceitá-lo e compreendê-lo em todas as suas variantes, pois se percebe o quão frágil ele é, assim como você era quando o criou. Por isso não alimente rancor em relação ao seu passado, não leve tão a sério, essa é a chave para conseguir deixar essa energia estagnada fluir.

Art by Mark Henson

Naturalmente, de maneira silenciosa, ele irá desvanecer por completo. Ao notar-se sem qualquer motivo para existir, tende a dissipar-se, pois só pode existir como medo. Ao transformar-se em coragem, já não mais é o que era. Diz-se que ele foi sublimá-lo. Ao não ter mais motivos para existir e mesmo assim recebendo amor de seu criador, o medo se transforma em sua contraparte. Esse então é o desapego amoroso.

Logo, de forma natural, silenciosa e pacífica, o medo desaparece e jamais tornará a nascer, uma vez que cada medo é um ser individual e único. Quem aprende a transformar seus temores, desejos, anseios, tristezas e raivas em suas contrapartes, torna-se seu próprio mestre. Isso é alquimia interior.

“Você não pode se livrar dos seus medos, mas pode aprender a conviver com eles.”
Tirinha de Alex Noriega (Stuff No One Told Me)

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Revisão: SR.Black