A tradição oculta fala sobre a existência de uma fraternidade negra, pessoas que trabalham unicamente para o eu, que resistem ao processo de evolução e tentam distorcê-lo.

Esses inimigos do progresso e da felicidade, chamados de “senhores da face escura”, são considerados a antítese da Grande Fraternidade Branca.

Quem se aprofunda no estudo da história, especialmente da evolução cultural e espiritual da humanidade, reconhece a existência de duas forças antagônicas: as forças do progresso e da expansão, de um lado, e as da decadência e da contenção, de outro.

Essas forças opostas são, às vezes, chamadas de forças da luz e forças das trevas – expressões bastante utilizadas por oradores e escritores durante as duas grandes guerras do século vinte.

A Bíblia cristã também contém referências (embora notadamente obscuras) a uma guerra nos céus, sugerindo a existência de dois seres poderosos, uma deidade e um demônio, que desde a aurora da criação estão constantemente em guerra.

Uma definição geral para essas duas forças opostas deve levar em conta que todos os seres humanos altruístas, qualquer que seja seu nível de evolução, são expressões das forças da luz.

Todos os seres humanos egoístas, do selvagem sensual até os cruéis e altamente intelectualizados inimigos da felicidade humana, são representantes das forças das trevas. Entre essas duas forças e seus representantes humanos é travada uma guerra perpétua, da qual as duas guerras mundiais foram uma expressão temporária no plano físico.

A sombra do homem

“O mal não tem existência per se. Ele não é mais que a ausência do bem, e existe somente para os que se tornam suas vítimas”, afirma A. P. Sinnett, em Cartas dos Mahatmas. 

O demônio não é mais que a sombra que o homem projeta quando vira as costas à luz.

A natureza não é nem boa nem má; apenas segue uma lei imutável e impessoal.

A experiência da dualidade entre espírito e matéria, luz e trevas, movimento e inércia, expansão e contração faz com que o homem associe esses conceitos ao bem e mal.

O ser humano julga os opostos conforme seu efeito.

Se a resistência representa um apoio, é boa.

Se traz prejuízos ou frustrações, é má.

O que é a escuridão que o homem classifica como má?

É apenas matéria que não está exposta à luz.

Escuridão é, simplesmente, matéria não-iluminada.

O homem apelidou-a de má; para ele, o demônio personifica esse estado.

Espírito e matéria não são morais nem imorais, bons nem maus.

Existem como opostos aparentes, só isso.

Para o homem, parecem estar em oposição: a matéria resiste ao espírito.

Da mesma forma, o ponto de apoio resiste à alavanca; sem ele, a força mecânica seria impossível.

Portanto, se for separado dos valores e da experiência humana, o mal, de fato, não existe; está apenas na mente do homem.

Quem são os verdadeiros inimigos

Investigar o significado do mal levanta algumas questões:

  1. O Criador do universo também criou o mal?
  2. A natureza é potencialmente boa e potencialmente má?
  3. Existe uma segunda deidade ou um segundo poder por trás de toda criação (um deus do mal, um satã, um belzebu cósmico)?
  4. Houve, ou há, dúvidas sobre o triunfo final do espírito, da verdade, da beleza e da ordem?
  5. Houve, ou há, o risco da vitória do caos?
  6. O que quer dizer “poderes das trevas” e “poderes da luz”?

 

A Teosofia oferece uma resposta clara e concisa para as primeiras cinco perguntas: não.

O mal não existe por si só; está apenas na percepção humana.

A resposta para a sexta pergunta seria uma definição de forças das trevas como forças da natureza voltadas para propósitos destrutivos.

São seres humanos que resistem ao progresso e à evolução, que contrapõem a vontade do eu individual à vontade do universo.

Esses são os verdadeiros inimigos.

Uma distorção do poder universal

Há certos sinais que distinguem, de maneira praticamente infalível, os movimentos e as organizações dos inimigos do homem: egoísmo, orgulho, excesso de amor próprio, crueldade, intolerância, desumanidade.

Por trás de tudo isso existe um desejo contínuo de dominar a vida e a mente dos outros, pois a marca desses inimigos da felicidade é o egoísmo e a negação de toda a essencial liberdade, tanto de pensamento quanto de vida.

Os poderes das trevas têm agentes humanos em vários graus de evolução, desde o selvagem cruel, sensual e egoísta (seja civilizado ou não) até indivíduos altamente intelectualizados que trabalham apenas para o eu, de maneira aberta ou disfarçada.

As forças da luz são forças da natureza voltadas para propósitos construtivos.

Esses poderes são formados por todos os homens que trabalham pelo progresso evolutivo, que procuram cumprir a vontade una, que buscam a liberdade e o bem-estar de todos.

É importante lembrar que a energia usada por essas duas forças opostas, o egoísmo e o altruísmo, é a mesma energia. Trata-se da energia una do universo, que é completamente impessoal.

O homem personaliza esse poder ligando-o ao demônio ou a Deus, tornando-o, para si e para seus semelhantes, satânico, mau, destrutivo e obscuro, ou divino, bom, construtivo e luminoso.

De acordo com esse ponto de vista, não é com um demônio externo que o homem está em guerra.

Não existe um colosso do mal, nenhuma deidade secundária no universo com um poder para o mal equivalente ao poder da Deidade primária para o bem.

Não há qualquer indivíduo maligno e tentador sempre procurando seduzir o homem e desviá-lo de sua lealdade para com Deus, com a bondade, a beleza e a verdade.

O mal vem do interior do homem, e é lá que deve ser reconhecido, combatido e vencido.

O mal é uma distorção do poder universal, uma ofensa a esse poder, realizada pelo próprio homem.

Não há ninguém mais a quem culpar pelo mal, atrás de quem se esconder, alguém para usar como desculpa.

Uma vez que esse fato seja firmemente encarado, acaba toda tentativa de fuga.

Quanto mais rápido o homem reconhecer que o mal existe apenas dentro de si, mais cedo o velho Armagedon será vencido, e a saúde espiritual, moral e física será restaurada.

No interior do ser humano estão o conceito e o potencial tanto do mal quanto do bem. Dentro dele estão a batalha e o campo de batalha.

O Armagedon é travado no coração e na mente do homem; dentro dele reside também o poder da vitória.

Revisão: SR.Black

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