Devemos todos ligar o RED ALERT da consciência e verificar profundamente tudo que já ocorre ao nosso redor que nos remete a já existência dessa realidade prometida abaixo, existe um seriado na Netflix, chamado TRAVELERS, onde consciencias são enviadas do futuro por uma maquina quântica, chamada de O DIRETOR, e ocupam os corpos de pessoas que estão para morrer, substituindo a consciência da pessoa e assumindo suas vidas, mas com o proposito de cumprir missões para impedir tudo que ajudou a destruir a humanidade no futuro, mas essa maquina quântica, O DIRETOR, é dona e responsável pelas decisões, estando onde existe tecnologia ao redor e agindo como DEUS em algumas situações dentro da trama, vale conferir e refletir.

O engenheiro por trás do projeto de Inteligência Artificial do carro sem motorista do Google e carros e caminhões autodirigidos do Uber, Anthony Levandowski, criou nos EUA a igreja “Way to the Future”.

Seu objetivo: criar uma divindade baseada em IA para, através da adoração e compreensão, “melhorar a sociedade”.

Um “Deus Ex Machina” que não só livraria o homem de qualquer responsabilidade ética ou moral dos seus atos mas também serviria de plataforma para a imortalidade humana digital.

Com o apoio de igrejas que combinam Trans-humanismo (h+) com redenção cristã, Levandowski é mais um exemplo das motivações místico-religiosas por trás dos empreendimentos do Vale do Silício.

Uma estranha combinação entre IA, fundamentalismo cristão e empreendedorismo das startups tecnológicas. E irradiada para todo planeta por meio da mídia corporativa como modelo de progresso para o século XXI.

Mas no mundo atual toda ironia pode ser perigosa: é capaz de, sarcasticamente, materializar-se como tendência bem real.

Principalmente num contexto de eventos aparentemente desconexos como apologias ao empreendedorismo a cada intervalo comercial na TV; o crescimento da força política da bancada evangélica no Congresso apontando para a conversão do Estado de laico para religioso; e o patrulhamento moralista religioso em espaços artísticos pelo País, como sintomas de um zeitgeist atual em desenvolvimento que combina tecnologia, política e religião.

 

Anthony Levandowski

Portanto, o que há em comum entre o Vale do Silício, Inteligência Artificial, Empreendedorismo e Fundamentalismo Cristão?

A resposta talvez esteja no engenheiro e empreendedor milionário do Vale do Silício, Anthony Levandowski – o engenheiro que construiu o automóvel autônomo do Google, fundou a empresa Otto de caminhões autodirigidos e que foi adquirida pelo Uber em uma milionária transação em 2016.

Ao mesmo tempo em que está no centro de uma batalha legal entre Uber e Google, (que o acusa de roubar 10 gigabytes de arquivos secretos da gigante de Mountain View), Levandowski fundou nesse ano uma corporação religiosa sem fins lucrativos chamada “Way of the Future” cujo princípio tecno-místico assumido é:

Desenvolver e promover a criação de uma Divindade com base na Inteligência Artificial e, através da compreensão e adoração dessa Divindade, contribuir para o melhoramento da sociedade.

“Um novo país, em uma ilha…”

Levandowski não fez essa afirmação em nenhum púlpito de alguma seita de malucos em algum deserto ou montanhas da Califórnia. Foi publicada na revistaWired, a bíblia norte-americana geek do Vale do Silício – “God is a bot, and Anthony Levandowski is his Messenger”Wired 27/09/2017.

Wired relata o testemunho de um engenheiro amigo dos tempos do Google:

ele teve uma motivação muito estranha sobre robôs assumirem o controle do mundo: realmente assumir, no sentido militar.

Era como se pudesse controlar o mundo e os robôs fossem o caminho para fazer isso.

Ele falou em um começar um novo país, em uma ilha…

E a coisa maior é que ele sempre teve um plano secreto, e você não vai saber disso.

Essas conexões entre empreendedorismo, militarismo, religião e alta tecnologia transformam a trajetória de Anthony Levandowski na quintessência do imaginário do empreendedor do Vale do Silício, atualmente irradiado para todo o planeta.

Levandowsky nasceu em Bruxelas, filho de uma mãe diplomata francesa e um empresário norte-americano. Levado pelo seu pai para a Califórnia, teve seus primeiros sucessos em robótica na Universidade, voltando sua atenção para o transporte.

Sua mãe o avisou sobre um concurso organizado pelo DARPA (braço de pesquisa em alta tecnologia militar do Pentágono): o “DARPA Grand Challenge 2004” uma disputa entre veículos robóticos controlados por computador através do deserto entre Los Angeles e Las Vegas.

Foi a porta de entrada de uma meteórica trajetória de startups de robótica, Google, Uber, até ser demitido pela empresa após denuncia do suposto roubo de informações secretas – sobre o DARPA, guerra e neurociências.

Vale do Silício e o espírito do tempo

 A igreja “Way of the Future” é mais um exemplo de como o Vale do Silício está gestando o atual “espírito do tempo” no qual empreendedorismo (startups tecnológicas), trans-humanismo e fundamentalismo cristão se aproximam em surpreendentes conexões.

Esse elo místico-religioso por trás da ciência computacional é bem conhecido, como alerta o cientista de computadores e criador do conceito de realidade virtual, Jaron Lanier, de que uma nova religião (a “religião das máquinas” ou “totalitarismo cibernético”) seria uma ideia corrente entre pesquisadores e empreendedores digitais.

O Vale do Silício desenvolve conceitos quase religiosos como o de “singularidade”: a crença de que em um dado momento a curva de evolução ficaria tão vertical que ultrapassaria o limite do próprio gráfico – as máquinas ficariam tão inteligentes pelo acúmulo de dados que superariam as capacidades humanas, levando a uma inteligência tão sobre-humana que seria incompreensível para os nossos pobres cérebros dependentes de sinapses bioquímicas.

Para Christopher Benek, um pastor da Flórida e fundador da Associação Trans-humanista Cristã, a igreja fez uma trabalho pesado para se aproximar dessas personalidades do Vale do Silício.

Para Benek, a Inteligência Artificial é compatível com os “propósitos redentores do Cristianismo” ao querer criar um “Deus Ex Machina”, uma tecnologia criada sob a própria orientação divina.

Ou ainda para o escritor e futurista Zoltan Istvan (que lançou-se em uma candidatura independente à presidência dos EUA com uma agenda trans-humanista), religião e ciência estão convergindo através desse conceito de “singularidade” – clique aqui.

Essa imagem de um “Deus Ex Machina” (ou “Overlords da IA”) remete às narrativas distópicas no cinema onde deuses destroem humanos selecionando aqueles mais qualificados para serem salvos.

Talvez a mesma situação futura na qual carros autodirigidos (cuja inteligência alcançou a singularidade) terão que fazer escolhas parecidas com Deus em uma situação de acidente onde precisará escolher quem salvar e quem atropelar.

Mas ainda por trás do trans-humanismo e redenção cristã está o sonho tecnognóstico da imortalidade – a capacidade de sermos capaz de fazermos um upload final de cópias de nossos cérebros para estas máquinas, levando a imortalidade digital.

Porém, essa redenção religiosa tem pretensões políticas bem terrenas – o momento em que, mais uma vez na História, a religião se converte em ideologia e farsa. Principalmente quando esse imaginário do Vale do Silício é irradiado para todo o planeta através da mídia corporativa.

Mesmo que seja através das visões apocalípticas como as de Elon Musk de que “com a Inteligência Artificial estamos invocando o demônio”, como afirmou em uma conferência no MIT em 2014.

Críticas clichês como essas remetem ao imaginário hollywoodiano como O Exterminador do Futuro ou Matrix no qual as máquinas escravizam serem humanos.

 

No mundo real, essa convergência Ciência e Religião é mais perversa e menos literal.

Nos algoritmos que regem as escolhas nos sites de relacionamentos e compra e venda automática nos mercados de ações, temos a materialização tecnológica da figura da “mão invisível” da ideologia neoliberal – uma misteriosa ação invisível que regularia os apetites individuais, livrando o homem de qualquer julgamento ético ou moral.

Mas sabemos que essa “mão invisível” ou “IA” esconde novas formas de engenharia e controle social. Afinal, quem é o dono do hardware? Quem financia a construção das máquinas que guiarão nossos carros e serão o suporte da nossa imortalidade?

O resultado final dessa ideologia californiana irradiada para todo o planeta são bem visíveis aqui no Brasil: a religião do empreendedorismo e o fetichismo high tech de startups, ferramentas, plataformas e maquininhas de crédito e débito.

Se bem que de uma forma mais tosca: no lugar de uma igreja “Way to the Future”, igrejas neopentecostais; e no lugar do visionário Anthony Levandowski, a trupe de Alexandre Frota, Kim Kataguiri e Fernando Holiday defendendo as virtudes da combinação do empreendedorismo, neoliberalismo e censura a museus, exposições artísticas e peças de teatro.

Tudo sob os auspícios das verbas dos donos do hardware: Banco Safra, XP Investimentos e Merrill Lynch.

Fontes: Com informações da Wired, The Guardian, Revista Fórum e Misterious Universe.

Revisão: SR.Black

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