Em “A Crítica da Razão Pura” Immanuel Kant aborda alguns aspectos do conhecimento e os distingue, ainda que esta distinção seja feita “mediante uma longa prática que nos habilite a separar esses dois elementos.” e os elementos do conhecimento a que Kant se refere são o “a priori” e “a posteriori”.
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Assim inicia Kant, “No tempo, pois, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.” demonstrando que todo conhecimento inicia com a experiência, porém não é porque iniciou com a experiência que dela deve depender, pois “Consideraremos, portanto, conhecimento “a priori”, todo aquele que seja adquirido independentemente de qualquer experiência. A ele se opõem os opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só o são “a posteriori”, quer dizer, por meio da experiência.” Desta forma, o conhecimento “a priori” mesmo tendo origem na experiência, não é dependente dela, Kant aborda dizendo que “[…] daqui por diante, […] conhecimento “a priori”, são todos aqueles que são absolutamente independentes da experiência; eles são opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só são possíveis mediante a experiência.”
Desta forma o conhecimento “a priori” faz parte da razão pura, e é universal e necessário, como por exemplo: O triângulo possui três lados.” Esta frase nos faz entender que em qualquer lugar do universo e em qualquer circunstâncias o triângulo possui três lados, assim como: Todo solteiro é não casado; todo corpo possui massa, ou seja, são casos universais e necessários, sendo o que são em qualquer lugar.
Já o conhecimento “a posteriori” é contingente (pode ou não pode ser), pois depende do fenômeno empírico para ser o que é, dependente da experiência e dela é originado, enquanto o conhecimento “a priori” é originado na experiência, mas não dependente dela.

A separação entre estes dois conhecimentos, um “a priori” (originado na experiência, mas não dependente dela) e um “a posteriori” (que é a própria experiência agindo). “Surge desse modo uma questão que não se pode resolver à primeira vista: será possível um conhecimento independente da experiência e das impressões dos sentidos?”

Lembrando que os conhecimentos “a priori” e “a posteriori” servem apenas para conhecimento das coisas que estão no âmbito da física e não metafísica, e ainda que não podemos conhecer as coisas como são em si, mas apenas como aparecem para nós.

Os juízos são relações entre o sujeito e o predicado, entende-se por juízo (conhecimento). A relação entre o sujeito e o predicado pode ser feita por análise (quando o predicado pertence ao sujeito e assim nada lhe acrescenta) ou síntese (quando o predicado não pertence ao sujeito e algo é acrescentado).

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Juízos analíticos “a priori” são então aqueles que o predicado nada acrescenta ao sujeito, e “a priori”, conforme artigo anterior, porque são universais e necessários, desta forma temos o exemplo do triângulo na imagem acima, mas podemos dar um exemplo duplamente semelhante, tanto para os juízos analíticos como para os juízos sintéticos: Todo corpo possui massa.
Esta sentença demonstra que a massa (predicado) nada acrescentou ao corpo (sujeito), sendo um juízo analítico, pois todo corpo já possui massa, não é preciso expressar por meio da linguagem, assim há um desenvolvimento para explicar o que há no corpo sem nada lhe ser acrescentado. E independente do local que o corpo se encontra no universo ele continuará possuindo massa, pois a partir do momento que o corpo não mais possuí-la, na verdade não será mais um corpo, portanto é necessário e universal (“a priori”).
Quanto aos juízos sintéticos “a posteriori” podemos dizer que são aqueles que o predicado acrescenta algo ao sujeito, e temos o exemplo da garrafa verde na imagem acima, mas como explanado acima iremos utilizar um argumento de extrema semelhança ao argumento do juízo analítico. Enquanto no juízo analítico “a priori” dissemos que todo corpo possui massa, no juízo sintético “a posteriori” utilizaremos um exemplo semelhante: Todo corpo é pesado.

 

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Analisemos o seguinte, o predicado (pesado) acrescentou algo ao sujeito (corpo)? Sim, acrescentou porque o peso depende da gravidade, enquanto na terra um corpo pesa xN, na lua o peso diminui porque a gravidade é menor, desta forma há uma variação (contingência) do peso em relação ao corpo (“a posteriori”) e por acrescentar algo ao sujeito, ou seja, a gravidade que não faz parte do corpo, o juízo é sintético.
Quanto aos juízos analíticos Kant diz que “[…] seria absurdo fundar um juízo analítico na experiência, pois para formá-lo não preciso sair do meu conceito e por conseguinte não me é necessário o testemunho da experiênciaPosso reconhecer antes, analiticamente, o conceito de corpo pelas propriedades da extensão, impenetrabilidade, forma etc., etc., as quais são todas pensadas neste conceito.” grifo meu

E quanto aos juízos sintéticos Kant demonstra: “Mas se amplio meu conhecimento e observo a experiência que me proporcionou o conceito de corpo, encontro enlaçada constantemente com todas as anteriores propriedades e de gravidade (o peso), que adito sinteticamente, como predicado, àquele conceito.” grifo meu.

Sabendo que o principal questionamento abordado na “Crítica da Razão Pura” é justamente em relação aos juízos sintéticos “a priori”, iremos apenas esboçar nesta postagem o que pode ser e não conceituar sobre o que ele seja, isso faremos no final da obra.
Portanto o que podemos deixar em princípio sobre o que seja um juízo sintético “a priori” é que “Poder-se-ia em verdade crer, à primeira vista, que a proposição 7 + 5 = 12 é puramente analítica, resultante, segundo o princípio de contradição, do conceito de uma soma de sete e cinco. Mas se a considerarmos com mais atenção, acharemos que o conceito de soma de sete e cinco não contém mais do que a união dos dois números em um só, o que não faz pensar qual seja esse número único que compreenda aos outros dois. O conceito de 12 não é de modo algum percebido só pelo pensamento da união de cinco e sete, e posso decompor todo meu conceito dessa soma tanto quanto quiser, sem que por isso encontre o número 12.”
Juízo Sintético a Priori
É preciso, pois, ultrapassar esse conceito recorrendo-se à intuição correspondente a um dos dois números, quiçá aos 5 dedos da mão ou a cinco pontos (como faz Segner em sua Aritmética), e aditar sucessivamente ao conceito sete as cinco unidades dadas na intuição.”
“Com efeito, tomo primeiramente o número sete, e auxiliando-me de meus dedos como intuição para o conceito de 5, acrescento sucessivamente ao número 7 as unidades que tive de reunir para formar o 5, e assim vejo surgir o número 12.”
Pela adição de sete e cinco tenho idéia desta soma 7 + 5, é verdade; mas não que esta seja igual ao número 12. A proposição aritmética é, pois, sempre sintética: o que se compreende ainda mais claramente se se tomam números maiores, pois então é evidente que, por mais que volvamos e coloquemos nosso conceito quanto quisermos, nunca poderemos achar a soma mediante a simples decomposição de nossos conceitos e sem o auxilio da intuição.”
Desta forma Kant demonstra que a soma não é algo que faz parte dos números 7 e 5, ainda que pensemos que a soma seja implícita aos dois números, assim a própria soma que parecia implícita nos números é algo adicionado (sintético) a estes conceitos para que cheguemos realmente ao número 12, porém os números 5 e 7 serão os mesmos em qualquer lugar do universo e a sua soma também será válida até mesmo na lua, o que os faz ser “a priori” (universais e necessários). Assim se faz uma síntese “a priori” num primeiro momento, pois o conceito de soma é completamente aditado e não pode provir da decomposição do conceito de 5 e 7.
Iremos, neste glossário, destacar os principais conceitos kantianos para melhor compreensão da Introdução de sua obra, pois a partir do momento que Kant aborda o conceito de uma palavra, no restante da obra ele pressupõe que estamos a par do que já foi conceituado anteriormente, eis algumas palavras:
Conhecimento “a priori” – é todo aquele que é universal e necessário, faz parte da razão pura, se origina na experiência, mas não depende dela.
Conhecimento “a posteriori” – é todo aquele que é contingente (pode ou não pode ser – variável), faz parte da experiência, se origina dela e dela depende.

Juízo analítico “a priori” – é todo juízo (conhecimento) onde o predicado nada acrescenta ao sujeito, mas apenas o explica (analisa) e é também universal e necessário (“a priori”).

Juízo sintético “a posteriori” – é todo juízo (conhecimento) onde o predicado acrescenta algo ao sujeito, fazendo assim uma síntese, e são contingentes (“a posteriori”) por depender da experiência.
Juízo sintético “a priori” – como demonstrado na postagem anterior, este conhecimento é o tema principal da “Crítica da Razão Pura” não sendo respondida num primeiro momento, apenas demonstrada, ou seja, é sintético porque o predicado acrescenta algo ao sujeito e “a priori” porque não depende da experiência, mas da razão pura.
Assim fecha nosso glossário da introdução, mas quem achar que um conceito ou outro ficou sem explicação, pode comentar e pedir para colocarmos no glossário.
Kant aborda vários conceitos, como já visto nas postagens anteriores, que devem ser bem compreendidos para concebermos de forma mais precisa o que está sendo demonstrado como um todo. Neste intento, exporemos, a partir do capítulo “Estética Transcendental do Espaço” da “Crítica da Razão Pura”, alguns conceitos chaves para compreensão da sua obra.
Assim, podemos iniciar abordando a sensibilidade que é “a capacidade de receber (a receptividade) representações dos objetos segundo a maneira como eles nos afetam […]” (p. 15) Não confundamos sensibilidade, com sentidos, pois a sensibilidade é “a priori”, faz parte da razão pura, é quem dá a forma aos objetos, pois dela fazem parte o espaço (perspectiva) e o tempo (existência). “[…] mas é pelo entendimentoque elas (intuições) são pensadas, sendo dele que surgem os conceitos.” (p. 15) [grifo meu], o entendimento também é outra parte da razão pura, e da mesma forma que da sensibilidade fazem parte o espaço e o tempo, do entendimento fazem parte as categorias (quantidade, qualidade, relação e modalidade) para conceituação dos objetos.
“Todo pensamento deve em última análise, seja direta ou indiretamente, mediante certos caracteres, referir-se às intuições, e, conseguintemente, à sensibilidade, porque de outro modo nenhum objeto nos pode ser dado.” (p. 15), entende-se por intuição a espacialidade (tridimensionalidade) dos objetos e como o espaço faz parte da sensibilidade é por essa maneira que os objetos, enquanto espaciais, nos são apresentados, por algo que está dentro de nós mesmos, pois nós, enquanto seres humanos, somos dotados da sensibilidade em nossa razão e assim pomos a espacialidade nos objetos e os representamos em perspectivas. Por exemplo, em uma pintura, sabemos que é feita em 2D (bidimensional – altura e largura) não há profundidade, então como somos capazes de perceber a profundidade naquilo que não há? Justamente pela nossa intuição que está na sensibilidade espacial da nossa razão pura. Eis um exemplo:

Estética Transcendental Espaço

Estética Transcendental Espaço

“A impressão de um objeto sobre esta capacidade de representações, enquanto somos por ele afetados, é a sensação.” (p. 15) Outro ponto importante é a sensação, pois esta é a impressão que temos dos objetos, está vinculada a experiência e é portanto “a posteriori”. 

“Chama-se empírica toda intuição que relaciona ao objeto, por meio da sensação.” (p. 15) Intuição empírica está relacionada ao objeto e consequentemente a sensação que o objeto nos causa, pois não só depende do espaço da nossa sensibilidade como depende do objeto para lhe causar uma sensação.
“O objeto indeterminado de uma intuição empírica, denomina-se fenômeno.” (p. 15) O fenômeno é a representação da minha sensibilidade no objeto que foi anteriormente por ele afetada (sensação), não confunda-se fenômeno com o objeto em si, por ser ele apenas a representação do que é para nós.
“No fenômeno chamo matéria àquilo que corresponde à sensaçãoaquilo pelo qual o que ele tem de diverso pode ser ordenado em determinadas relações, denomino “forma do fenômeno”. Como aquilo mediante o qual as sensações se ordenam e são suscetíveis de adquirir certa forma não pode ser a sensação, infere-se que a matéria dos fenômenos só nos pode ser fornecida “a posteriori”, e que a forma dos mesmos deve achar-se já preparada “a priori” no espírito para todos em geral, e que por conseguinte pode ser considerada independentemente da sensação.” (p. 15) O fenômeno é portanto um misto de matéria (sensação – “a posteriori”) e forma (independe da sensação – “a priori”), a matéria está relacionada ao que ele “é” enquanto objeto físico e a forma é a capacidade da sensibilidade de raciocinar este objeto como algo espacial, tridimensional.
“Toda a representação na qual não há traço daquilo que pertence à sensação chamo pura (em sentido transcendental). A forma pura das intuições sensíveis em geral, na qual todo o diverso dos fenômenos é percebido pela intuição sob certas relações, encontra-se “a priori” no espírito. Esta forma pura da sensibilidade pode ainda ser designada sob o nome de intuição pura. Assim, quando na representação de um corpo eu me abstraio daquilo que a inteligência pensa, como substância, força, divisibilidade etc., bem como daquilo que pertence à sensação, como a impenetrabilidade, a dureza, a cor etc., ainda me resta alguma coisa desta intuição empírica, a saber: a extensão e a figura. Estas pertencem à intuição pura, que tem lugar “a priori” no espírito, como uma forma pura da sensibilidade e sem um objeto real do sentido ou sensação.” (p. 15) Toda representação que não depende dos fenômenos, ou seja, da sensação para nos afetar, mas se encontra puramente na nossa razão, denomina-se intuição pura, diferente da intuição empírica que necessita que o objeto forneça a sensação para afetar a sensibilidade. Foi dito anteriormente que a forma não depende da sensação e é portanto “a priori”, conseguinte se tirarmos a impenetrabilidade, a dureza, a cor que pertencem ao fenômeno, resta-nos a forma pura, que não está relacionada a sensação, mas a sensibilidade da razão (“a priori”) e assim a denominamos intuição pura. Portanto a forma pura da sensibilidade é a intuição pura, ou seja, o espaço. Ou melhor a extensão e a figura que se revelam em minha razão “a priori”.
“Denomino Estética transcendental à ciência de todos os princípios “a priori” da sensibilidade. É pois esta ciência que deve constituir a primeira parte da teoria transcendental dos elementos, por oposição àquela que contém os princípios do pensamento puro e que se denominará Lógica transcendental.” (p. 16) Os princípios “a priori” da sensibilidade a que Kant se refere são o espaço (intuição pura) e o tempo.
“Na Estética transcendental, nós começaremos por isolar a sensibilidadefazendo abstração de tudo quanto o entendimento aí acrescenta e pensa por seus conceitos, de tal sorte que só fique a intuição empírica. Em segundo lugar, separaremos, também, da intuição tudo o que pertence à sensação, com o fim de ficarmos só com a intuição pura e com a forma do fenômeno, que é a única coisa que a sensibilidade nos pode dar “a priori”. Resultará desta pesquisa que existem duas formas puras da intuição sensível, como princípios do conhecimento “a priori”, a saber: o espaço e o tempo, de cujo exame vamos agora ocupar-nos.” (p. 16) Fazem parte da nossa razão pura, a sensibilidade (espaço e tempo) e o entendimento (categorias), como abordado anteriormente, desta forma, se isolo a sensibilidade do entendimento, abstraindo-a das categorias resta-nos a intuição empírica, por ainda depender da sensação, mas se isolarmos a intuição empírica da sensação resta-nos a intuição pura, o espaço e o tempo que são as formas puras da intuição sensível (sensibilidade).

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espaço é uma dada grandeza infinita, o ser humano é finito, assim apreende uma parte do espaço (o que já é necessário para pôr espacialidade nos fenômenos), porém os fenômenos são representados apenas para nós, e não como o objeto em si.
“Por meio dessa propriedade de nosso espírito que é o sentido externo, nós nos representamos os objetos como estando fora de nós e colocados todos no espaço.” (p. 16) Porém os objetos enquanto nos parecem ser algo puramente externo, na verdade são uma participação da espacialidade que há dentro da nossa razão.
“O tempo não pode ser percebido exteriormente, assim como o espaço não pode ser considerado como algo interior em nós outros.” (p. 16) Sendo o espaço, uma dada grandeza infinita, o ser humano é participante desta grandeza, enquanto “pedaços”, pois o espaço não é um conceito, mas algo tão grande que é apenas absorvido em partes, e isso não afeta a espacialidade que a nossa sensibilidade coloca nos fenômenos.
“Entendo por exposição a clara representação (ainda que não seja extensa) do que pertence a um conceito; a exposição é metafísica quando contém o que o conceito apresenta como dado “a priori”.” (p. 16) A exposição pertence ao conceito e consequentemente são “trabalhados” a sensibilidade (tempo e espaço) “a priori”, o entendimento (categorias) “a priori” e a sensação “a posteriori”, mas enquanto exposição metafísica está relacionada apenas a razão pura (sensibilidade e entendimento) “a priori”. A exposição e a exposição metafísica estão sendo abordadas para que possamos compreender mais à frente sobre o realismo empírico e o idealismo transcendental.
“O espaço não é um conceito empírico, derivado de experiências exteriores. Com efeito, para que eu possa referir certas sensações a qualquer coisa de exterior a mim (quer dizer, a qualquer coisa colocada em outro lugar do espaço diverso do que ocupo), e, para que possa representar as coisas como de fora e ao lado umas das outras, e por conseguinte como não sendo somente diferentes, mas colocadas em lugares diferentes, deve existir já em princípio a representação do espaçoEsta representação não pode, pois, nascer por experiência das relações dos fenômenos exteriores, sendo que estas só são possíveis mediante a sua prévia existência.” (p. 16 e 17) O espaço não depende da experiência “a posteriori”, por não ser empírico, pois a representaçãoespacialnão nasce na experiência, mas mediante a prévia existência do espaço na sensibilidade da razão pura “a priori”, quase que como algo inato ao ser humano, lembrando que os conhecimentos “a priori” se originam na experiência, mas dela não dependem. Assim podemos pressupor que no momento do nascimento, temos contato com a experiência e que a partir daí podemos pelo que há de puro em nossa razão conhecer os fenômenos.

O espaço é uma representação necessária, “a priori”que serve de fundamento a todas as intuições externas. É impossível conceber que não exista espaço, ainda que se possa pensar que nele não exista nenhum objeto. Ele é considerado como a condição da possibilidade dos fenômenos, e não como uma representação deles dependentee é uma representação “a priori”, que é o fundamento dos fenômenos externos.” (p. 17) O espaço é “a priori” por não depender dos fenômenos, mas por ser a condição da possibilidade do fenômeno enquanto algo espacial. O espaço é o fundamento dos fenômenos externos, é o que os faz ser representados para nós.
“[…] se segue que o que serve de base a todos os conceitos que temos do espaço, é uma intuição “a priori” (que não é empírica).““A primitiva representação do espaço é, pois, uma intuição “a priori” e não um conceito.” (p. 17) Portanto o espaço é intuição “a priori”, ou seja, intuição pura.

“Entendo por exposição transcendental a aplicação de um conceito, como princípio que pode mostrar a possibilidade de outros conhecimentos sintéticos “a priori”. Ora, isso supõe duas coisas:

1 — que realmente emanem do conceito dado tais conhecimentos;

2 — que esses conhecimentos não sejam possíveis senão sob a suposição de um modo de explicação dado e tirado desse conceito.” (p. 17)

Mas essa intuição deve achar-se em nós, “a priori”, quer dizer, anteriormente a toda percepção de um objeto, e, por conseguinte, ser pura e não empírica.” (p. 18)

Como se encontra, pois, no espírito, uma intuição externa anterior aos mesmos objetos e na qual o conceito desses objetos pode ser determinado “a priori”? Isso só pode acontecer sob a condição de que ela tenha sua sede no sujeitocom a capacidade formal que ele tem de ser afetado por objetos e de receber assim uma representação imediata, quer dizer, uma intuição, por conseguinte como forma do sentido exterior em geral.” (p. 18)

O sujeito é afetado pelo objeto através da sensação e assim recebe uma representação (intuição imediata), assim há uma troca de representações e o objeto não se mostra como tal, mas apenas como uma representação da nossa sensibilidade. Sabe-se que para Kant, o objeto e o sujeito em si não são passíveis de conhecimento, mas temos apenas uma representação do objeto como ele se mostra a nós (REALISMO EMPÍRICO) e do sujeito como consciência da sensibilidade – espaço e tempo (IDEALISMO TRANSCENDENTAL).

Para melhor compreensão da representação, veja a imagem abaixo:

Idealismo Empírico Realismo Transcendental

O espaço não é mais do que a forma dos fenômenos dos sentidos externos, quer dizer, a única condição subjetiva da sensibilidade, mediante a qual nos é possível a intuição externa.” (p. 18) Só podemos conceber a espacialidade dos fenômenos, mediante a forma que deles há na sensibilidade. Entenda-se forma, como não-matéria, pois enquanto para Aristóteles era possível conhecer a coisa em si (substância = matéria + forma), para Kant este conhecimento não é possível, apesar de termos a forma como causa eficiente do fenômeno.
E como a propriedade do sujeito de ser afetado pelas coisas precede necessariamente a todas as intuições das mesmas, compreende-se facilmente que a forma de todos os fenômenos pode achar-se dada no espírito antes de toda percepção real, e, consequentemente, “a priori”. Mas como seja uma intuição pura onde todos os objetos devem ser determinados, ela pode conter anteriormente a toda experiência os princípios de suas relações.” (p. 18) Assim a forma dos fenômenos está no sujeito antes mesmo da percepção real (empírica).
Nosso exame do espaço mostra-nos a sua realidade, quer dizer, o seu valor objetivo relativamente a tudo aquilo que se pode apresentar-nos como objeto; mas ao mesmo tempo, também, a idealidade do espaço relativamente às coisas consideradas em si mesmas pela razão, quer dizer, sem atender à natureza de nossa sensibilidade. Afirmamos, pois, a realidade empírica do espaço em relação a toda experiência externa possível; mas reconhecemos também a idealidade transcendente do mesmo, quer dizer, a sua não existência, desde o momento em que abandonamos as condições de possibilidade de toda experiência e cremos seja ele algo que serve de fundamento às coisas em si.” (p. 19) Ou seja, os objetos enquanto fenômenos são reais por serem empíricos (REALISMO EMPÍRICO), mas sabendo que os fenômenos são concebidos a partir da sensibilidade (espaço e tempo) abandonamos a experiência e cremos na sua idealidade como fundamento básico para a representação dos fenômenos (IDEALISMO TRANSCENDENTAL).
Neste último caso, com efeito, aquilo que não é originariamente senão um fenômeno, por exemplo, uma rosa tem, no sentido empírico, o valor de uma coisa em si, se bem que, quanto à cor, possa aparecer diferente aos diferentes olhos. Pelo contrário, o conceito transcendental dos fenômenos no espaço nos sugere esta observação crítica, de que em geral nada do que é intuído no espaço, é coisa em si; e, ainda, que o espaço não é uma forma das coisas consideradas em si mesmasmas que os objetos não nos são conhecidos em si mesmos e aquilo que denominamos objetos exteriores consiste em simples representações de nossa sensibilidade cuja forma é o espaço, mas cujo verdadeiro correlativo, a coisa em si, permanece desconhecida e incognoscível, jamais sendo indagada da experiência.” (p. 19) Desta forma, nada que é intuído do espaço é coisa em si, os objetos exteriores são simples representações de nossa sensibilidade, cuja forma é o espaço, mas a coisa em si não pode ser conhecida.

DO USO LÓGICO DO ENTENDIMENTO EM GERAL [B92 – B93]

O entendimento foi definido acima, apenas negativamente, como faculdade não sensível do conhecimento. Ora, independentemente da sensibilidade, não podemos participar em nenhuma [A 68] intuição.

O entendimento não é, pois, uma faculdade de intuição. Fora da [B 93] intuição, não há outro modo de conhecer senão por conceitos. Assim, o conhecimento de todo o entendimento, pelo menos do entendimento humano, é um conhecimento por conceitos, que não é intuitivo, mas discursivo. Todas as intuições, enquanto sensíveis, assentam em afecções e os conceitos, por sua vez, em funções. Entendo por função a unidade da ação que consiste em ordenar diversas representações sob uma representação comum. Os conceitos fundam-se, pois, sobre a espontaneidade do pensamento, tal como as intuições sensíveis sobre a receptividade das impressões. 

O entendimento não pode fazer outro uso destes conceitos a não ser, por seu intermédio, formular juízos. Como nenhuma representação, exceto a intuição, se refere imediatamente ao objeto, um conceito nunca é referido imediatamente a um objeto, mas a qualquer outra representação (quer seja intuição ou mesmo já conceito).

O juízo é, pois, o conhecimento mediato de um objeto, portanto a representação de uma representação desse objeto.

Em cada juízo há um conceito válido para diversos conceitos e que, nesta pluralidade, compreende também uma dada representação, referindo-se esta última imediatamente ao objeto. Assim, neste juízo, por exemplo, todos os corpos são divisíveisconceito de divisível refere-se a diversos outros conceitos; entre eles refere-se [A 68] aqui, particularmente, ao conceito de corpo, e este, por sua vez, a certos fenômenos ¹ que se apresentam a nós. [B 93] Estes objetos são, pois, apresentados mediatamente pelo conceito de divisibilidade. Assim, todos os juízos são funções da unidade entre as nossas representações, já que, em vez de uma representação imediata, se carece, para conhecimento do objeto, de uma mais elevada, que inclua em si a primeira e outras mais, e deste modo se reúnem num só muitos conhecimentos possíveis. podemos, contudo, reduzir a juízos todas as ações do entendimento, dei tal modo que o entendimento em geral pode ser representado como uma faculdade de julgar. Porque, consoante o que ficou dito, é uma capacidade de pensar. Ora pensar é conhecer por conceitos. Os conceitos, porém, referem-se, enquanto predicados de juízos possíveis, a qualquer representação de um objeto ainda indeterminado. Assim, o conceito de corpo significa algo, p. ex., um metal, que pode ser conhecido por meio desse conceito. Só é conceito, portanto, na medida em que se acham contidas nele outras representações, por intermédio das quais se pode referir a objetos. É, pois, o predicado de um juízo possível, como seja, por exemplo: todo o metal é um corpo. Encontram-se, portanto, todas as funções do entendimento, se pudermos expor totalmente as funções da unidade nos juízos.

Que isto, porém, é perfeitamente exeqüível é o que a secção seguinte mostrará

DA DIVISÃO DA LÓGICA GERAL EM ANALÍTICA E DIALÉCTICA [B82 – B85]

A velha e famosa pergunta pela qual se supunha levar à parede os lógicos, tentando forçá-los a enredar-se em lamentável dialelo ou a reconhecer a sua ignorância [A 58] e, por conseguinte, a vaidade de toda a sua arte, é esta:

Que é a verdade? 

A definição nominal do que seja a verdade, que consiste na concordância do conhecimento com o seu objeto, admitimo-la e pressupomo-la aqui; pretende-se, porém, saber qual seja o critério geral e seguro da verdade de todo o conhecimento.

É já grande e necessária prova de inteligência ou perspicácia saber o que se deve perguntar de modo racional. Pois que se a pergunta é em si disparatada e exige respostas desnecessárias tem o inconveniente, além de envergonhar quem a formula, de por vezes ainda suscitar no incauto ouvinte respostas absurdas, apresentando assim o ridículo espetáculo de duas pessoas, das quais (como os antigos diziam) uma ordenha o bode [B 83] enquanto outra apara com uma peneira.

Se a verdade consiste na concordância de um conhecimento com o seu objeto, esse objeto tem, por isso, de distinguir-se de outros; pois um conhecimento é falso se não concorda com o objeto a que é referido, embora contenha algo que poderia valer para outros objetos.

Ora, um critério geral da verdade seria aquele que fosse válido para todos os conhecimentos, sem distinção dos seus objetos. É, porém, claro, que, abstraindo-se nesse critério de todo o conteúdo do conhecimento (da relação ao objeto) e [A 59] referindo-se a verdade precisamente a esse conteúdo, é completamente impossível e absurdo perguntar por uma característica da verdade desse conteúdo dos conhecimentos e, portanto, é impossível apresentar um índice suficiente e ao mesmo tempo universal da verdade. Como acima já designamos por matéria o conteúdo de um conhecimento, teremos de dizer: não se pode exigir nenhum critério geral da verdade do conhecimento, quanto à matéria, porque tal seria, em si mesmo, contraditório.

No que respeita, porém, ao conhecimento, considerado simplesmente segundo a mera forma (pondo de parte todo o conteúdo), é igualmente claro que uma lógica, na medida em que [B 84] expõe as regras gerais e necessárias do entendimento, deverá nessas  mesmas regras expor critérios de verdade. Tudo o que os contradiga é falso, porque o entendimento assim estaria em contradição com as regras gerais do seu pensamento e, portanto, consigo mesmo.

Estes critérios referem-se, todavia, apenas à forma da verdade, isto é, do pensamento em geral e, como tais, são certos, mas não suficientes. Porque, embora um conhecimento seja perfeitamente adequado à forma lógica, isto é, não se contradiga a si próprio, pode todavia estar em contradição com o objeto. Assim, o critério puramente lógico da verdade, ou seja, a concordância de um conhecimento com as leis gerais e formais do entendimento e da razão, é uma [A 60] conditio sine qua non, por conseguinte a condição negativa de toda a verdade; mas a lógica não pode ir mais longe, e quanto ao erro que incida, não sobre a forma, mas sobre o conteúdo, não tem a lógica pedra de toque para o descobrir.

Ora a lógica geral resolve nos seus elementos todo o trabalho formal do entendimento e da razão e apresenta-os como princípios de toda a apreciação lógica do nosso conhecimento.

Esta parte da lógica pode pois chamar-se analítica e é, por isso mesmo, a pedra de toque, pelo menos negativa, da verdade, na medida em que, primeiramente, comprovar e avaliar com base nestas regras, todo [B 85]o conhecimento, quanto à sua forma, antes de investigar o seu conteúdo para descobrir se em relação ao objeto contém uma verdade positiva.

Como, porém, a simples forma do conhecimento, por mais que concorde com as leis lógicas, é de longe insuficiente para constituir a verdade material (objetiva) do conhecimento, ninguém pode atrever-se a ajuizar dos objetos apenas mediante a lógica, e a afirmar seja o que for antes de sobre eles ter colhido, fora da lógica, uma informação aprofundada, para depois tentar simplesmente a sua utilização e conexão num todo coerente, segundo as leis lógicas ou, melhor ainda, para os examinar em função destas leis.

Estética Transcendental – O Tempo – Crítica da Razão Pura 
Antes de abordarmos sobre o tempo, deve-se relembrar que ele, juntamente com o espaço, é uma das formas puras da sensibilidade, portanto fazem parte da estética transcendental. Não sendo empírico, mas “a priori” – universal e necessário.
O tempo não é um conceito empírico, ou seja, não deriva de qualquer experiência.
Os princípios do tempo nos instruem antes da experiência e não mediante a experiência, pois não é necessário a experiência, mas a possibilidade que ela proporcionou em fazer o tempo, como forma pura da sensibilidade, ser conhecido enquanto uma das estruturas necessárias e universais da razão.
Os princípios do tempo são a sucessividade e a simultaneidade.

tempo sucessivo é entendido como aquele que proporciona a existência a algum fenômeno, ou seja, a partir do momento em que um fenômeno nos é apresentado, o tempo impõe a sucessividade fazendo com que o fenômeno permaneça sendo o mesmo, durante um dado período temporal, ou seja, em tempos diferentes.

Não importa a mudança física, pois a permanência não está relacionada ao que é empírico, como na imagem abaixo, mas a ontologia, a existência em tempos diferentes é o que importa.

Lembrando que na imagem abaixo devemos analisar como sendo a mesma pessoa em tempos diferentes.

Estética Transcendental Tempo Sucessivo

tempo simultâneo é aquele em que alguns fenômenos são apresentados instantaneamente, fazendo o tempo impôr existência a mais de um fenômeno durante um só e mesmo tempo.

A imagem abaixo deve ser analisada como algo simultâneo, a existência instantânea de todos os fenômenos representados pela nossa intuição.

Estética Transcendental Tempo Simultâneo

Portanto o tempo é a própria base existencial de um fenômeno, sem o qual o fenômeno não poderia ser. Pois Kant afirma que “Estes princípios valem, por conseguinte, como regras, as únicas que em geral possibilitam as experiências e, como tal, nos instruem antes de tais experiências, não mediante estas.”
O tempo é uma representação necessária que constitui o fundamento de todas as intuições. Somente nele é possível a realidade, a existência dos fenômenos.
Kant demonstra que “A infinitude do tempo nada mais significa que qualquer grandeza determinada de tempo é somente possível por limitações de um tempo único, que lhe serve de fundamento. Portanto, a representação originária do tempo terá de ser dada como ilimitada. Sempre que, porém, as próprias partes e toda a magnitude de um objeto só possam representar-se de uma maneira determinada por limitação, a sua representação integral não tem que ser dada por conceitos, (pois estes só contêm representações parciais); é preciso que haja uma intuição imediata que lhes sirva de fundamento.”

Quanto ao conceito de mudança e movimento Kant aborda da seguinte maneira “Aqui acrescento apenas que o conceito de mudança e com ele o conceito de movimento (como mudança de lugar) só é possível na representação do tempo e mediante esta; se esta representação não fosse intuição (interna) a priori, nenhum conceito, fosse ele qual fosse, permitiria tornar inteligível a possibilidade de uma mudança, isto é, a possibilidade de uma ligação de predicados contraditoriamente opostos num só e mesmo objeto (por exemplo, a existência de uma coisa num lugar e a não existência dessa mesma coisa no mesmo lugar). Só no tempo, ou seja, sucessivamente, é que ambas as determinações, contraditoriamente opostas, se podem encontrar numa coisa.”

O tempo é apenas uma forma do sentido interno, ou seja, uma forma pura da sensibilidade. Assim o tempo não pode ser uma determinação dos fenômenos externos, mas a relação das representações no nosso estado interno. Por isso quando o fenômeno nos é apresentado, temos a noção do que ele é, enquanto representado a nós a partir da espacialidade e da temporalidade que são internas e puras à nossa razão. Além de serem “a priori” – necessárias e universais, portanto uma base estrutural e fundamental da representação dos fenômenos enquanto nossa estrutura (espaço/tempo) é capaz de absorver ou de sentir racionalmente (sensibilidade da razão).

Desta forma o tempo não é uma linha em que traçamos os períodos da história ou da humanidade, mas essa linha é apenas uma analogia que procuramos suprir pela falta de uma imagem do tempo na nossa intuição interna.
Kant: “Se posso dizer a priori: todos os fenômenos exteriores são determinados a priori no espaço e segundo as relações do espaço, posso igualmente dizer com inteira generalidade, a partir do princípio do sentido interno, que todos os fenômenos em geral, isto é, todos os objetos dos sentidos, estão no tempo e necessariamente sujeitos às relações do tempo.”

“O tempo é, pois, simplesmente, uma condição subjetiva da nossa (humana) intuição (porque é sempre sensível, isto é, na medida em que somos afetados  pelos objetos) e não é nada em si, fora do sujeito.”

Por isso podemos dizer que o tempo, apesar de não ter necessidade empírica, só é objetivo quando um fenômeno nos é apresentado, devido a sua “posição” em nossa razão, ou seja, é uma das formas puras da sensibilidade, que trabalha apenas quando somos afetados pelos objetos, mas mesmo quando o tempo é afetado pelos objetos, ele é interno e não algo fora do sujeito. Portanto se nenhum objeto nos é apresentado, o tempo é subjetivo na nossa intuição interna, à espera de um fenômeno para sua atuação, mas não à espera do fenômeno para a sua própria existência, pois ele já é um fundamento da nossa sensibilidade racional. A ideia em relação à espera de um fenômeno é no que diz respeito a um fenômeno específico, pois sabemos que nos deparamos com fenômenos a cada momento em nossas vidas.

“E, como a nossa intuição é sempre sensível, nunca na experiência nos pode ser dado um objeto que não se encontre submetido à condição do tempo. Contrariamente, impugnamos qualquer pretensão do tempo a uma realidade absoluta, como se esse tempo, sem atender à forma da nossa intuição sensível, pertencesse pura e simplesmente às coisas, como sua condição ou propriedade. Tais propriedades, que pertencem às coisas em si, nunca nos podem ser dadas através dos sentidos. Nisto consiste pois a idealidade transcendental do tempo, segundo a qual o tempo nada é, se abstrairmos das condições subjetivas da intuição sensível e não pode ser atribuído aos objetos em si (independentemente da sua relação com a nossa intuição), nem a título de substância nem de acidente.”

Desta forma, o tempo não pertence às coisas, mas é uma forma pura da sensibilidade, é como se o fenômeno servisse de ponte para conhecermos o que há de interno na nossa razão, que nesse caso é o próprio tempo. Portanto quando lidamos com que há de interno (subjetivo) na razão, Kant chama de idealidade transcendental, que é o próprio conhecimento da nossa capacidade de conhecer, ou seja, o conhecimento do que é puro e não empírico na nossa razão.

Estética Transcendental Kant
Definições Importantes – Estética Transcendental – Crítica da Razão Pura

Sejam quais forem o modo e os meios pelos quais um conhecimento se possa referir a objetos, é pela intuição que se relaciona imediatamente com estes e ela é o fim para o qual tende, como meio, todo o pensamento. Esta intuição, porém, apenas se verifica na medida em que o objeto nos for dado; o que, por sua vez, só é possível, [pelo menos para nós homens,] se o objeto afetar o espírito de certa maneira. A capacidade de receber representações (receptividade), graças à maneira como somos afetados pelos objetos, denomina-se sensibilidade. Por intermédio, pois, da sensibilidade são-nos dados objetos e só ela nos fornece intuições; mas é o entendimento que pensa esses objetos e é dele que provêm os conceitos. Contudo, o pensamento tem sempre que referir-se, finalmente, a intuições, quer diretamente (directe), quer por rodeios (indirecte) [mediante certos caracteres] e, por conseguinte, no que respeita a nós, por via da sensibilidade, porque de outro modo nenhum objeto nos pode ser dado.

[B 34] O efeito de um objeto sobre a capacidade representativa, na medida em que por ele somos afetados, é a sensação. A intuição que se relaciona com o objeto, por meio de sensação, chama-se empírica. O objeto indeterminado de uma intuição empírica chama-se fenômeno.

Dou o nome de matéria ao que no fenômeno corresponde à sensação; ao que, porém, possibilita que o diverso do fenômeno possa ser ordenado segundo determinadas relações ¹ dou o nome de forma do fenômeno. Uma vez que aquilo, no qual as sensações unicamente se podem ordenar e adquirir determinada forma, não pode, por sua vez, ser sensação, segue-se que, se a matéria de todos os fenômenos nos é dada somente a posteriori, a sua forma deve encontrar-se a priori no espírito, pronta a aplicar-se a ela e portanto tem que poder ser considerada independentemente de qualquer sensação. Chamo puras (no sentido transcendental) todas as representações em que nada se encontra que pertença à sensação. Por conseqüência, deverá encontrar-se absolutamente a priori no espírito a forma pura das intuições sensíveis em geral, na qual todo o diverso dos fenômenos se intui em determinadas condições. Essa forma [B 35] pura da sensibilidade chamar-se-á também intuição pura. Assim, quando separo da representação de um corpo o que o entendimento pensa dele, como seja substância, força, divisibilidade, etc., e igualmente o que pertence à sensação, como seja [A 21] impenetrabilidade, dureza, cor, etc., algo me resta ainda dessa intuição empírica: a extensão e a figura. Estas pertencem à intuição pura, que se verifica a priori no espírito, mesmo independentemente de um objeto real dos sentidos ou da sensação, como simples forma da sensibilidade.

Designo por estética * transcendental uma ciência de todos os princípios da sensibilidade a priori. Tem que haver, pois, uma tal ciência, que constitui a primeira parte da teoria transcendental dos [B 36] elementos, em contraposição à que contém os princípios do pensamento puro e que se denominará lógica transcendental.

Glossário – Crítica da Razão Pura

Def. Sensibilidade

A capacidade de receber representações (receptividade), graças à maneira como somos afetados pelos objetos, denomina-se sensibilidade.

Def. Sensação

O efeito de um objeto sobre a capacidade representativa, na medida em que por ele somos afetados, é a sensação.

Def. Intuição empírica

A intuição que se relaciona com o objeto, por meio de sensação, chama-se empírica.

Def. Fenômeno

O objeto indeterminado de uma intuição empírica chama-se fenômeno.

Def. Matéria

Dou o nome de matéria ao que no fenômeno corresponde à sensação; ao que, porém, possibilita que o diverso do fenômeno possa ser ordenado segundo determinadas relações ¹ dou o nome de forma do fenômeno.

Def. Forma

Dou o nome de matéria ao que no fenômeno corresponde à sensação; ao que, porém, possibilita que o diverso do fenômeno possa ser ordenado segundo determinadas relações ¹ dou o nome de forma do fenômeno.

Def. Representação pura

Chamo puras (no sentido transcendental) todas as representações em que nada se encontra que pertença à sensação.

Def. Espaço como extensão figura .

Assim, quando separo da representação de um corpo o que o entendimento pensa dele, como seja substância, força, divisibilidade, etc., e igualmente o que pertence à sensação, como seja [A 21]  impenetrabilidade, dureza, cor, etc., algo me resta ainda dessa intuição empírica: a extensão e a figura. Estas pertencem à intuição pura, que se verifica a priori no espírito, mesmo independentemente de um objeto real dos sentidos ou da sensação, como simples forma da sensibilidade.

Def. Estética transcendental

Designo por estética transcendental uma ciência de todos os princípios da sensibilidade a priori. Tem que haver, pois, uma tal ciência, que constitui a primeira parte da teoria transcendental dos [B 36] elementos, em contraposição à que contém os princípios do pensamento puro e que se denominará lógica transcendental.

Def. Verdade

A definição nominal do que seja a verdade, que consiste na concordância do conhecimento com o seu objeto, admitimo-la e pressupomo-la aqui; pretende-se, porém, saber qual seja o critério geral e seguro da verdade de todo o conhecimento.

(…) Se a verdade consiste na concordância de um conhecimento com o seu objeto, esse objeto tem, por isso, de distinguir-se de outros; pois um conhecimento é falso se não concorda com o objeto a que é referido, embora contenha algo que poderia valer para outros objetos.

Def. Verdade como correspondência (relação ao objeto)

(A relação ao objeto – correspondência – é a condição de possibilidade do critério geral da verdade) Ora, um critério geral da verdade seria aquele que fosse válido para todos os conhecimentos, sem distinção dos seus objetos. É, porém, claro, que, abstraindo-se nesse critério de todo o conteúdo do conhecimento (da relação ao objeto) e [A 59] referindo-se a verdade precisamente a esse conteúdo, é completamente impossível e absurdo perguntar por uma característica da verdade desse conteúdo dos conhecimentos e, portanto, é impossível apresentar um índice suficiente e ao mesmo tempo universal da verdade.

Def. Verdade Formal ou critério negativo de verdade

(Verdade como concordância do conhecimento – juízo – com sua forma lógica) Como acima já designamos por matéria o conteúdo de um conhecimento, teremos de dizer: não se pode exigir nenhum critério geral da verdade do conhecimento, quanto à matéria, porque tal seria, em si mesmo, contraditório.

No que respeita, porém, ao conhecimento, considerado simplesmente segundo a mera forma (pondo de parte todo o conteúdo), é igualmente claro que uma lógica, na medida em que [B 84] expõe as regras gerais e necessárias do entendimento, deverá nessas mesmas regras expor critérios de verdade. Tudo o que os contradiga é falso, porque o entendimento assim estaria em contradição com as regras gerais do seu pensamento e, portanto, consigo mesmo. Estes critérios referem-se, todavia, apenas à forma da verdade, isto é, do pensamento em geral e, como tais, são certos, mas não suficientes. Porque, embora um conhecimento seja perfeitamente adequado à forma lógica, isto é, não se contradiga a si próprio, pode todavia estar em contradição com o objeto. Assim, o critério puramente lógico da verdade, ou seja, a concordância de um conhecimento com as leis gerais e formais do entendimento e da razão, é uma [A 60] conditio sine qua non, por conseguinte a condição negativa de toda a verdade; mas a lógica não pode ir mais longe, e quanto ao erro que incida, não sobre a forma, mas sobre o conteúdo, não tem a lógica pedra de toque para o descobrir.

Def. Entendimento

O entendimento foi definido acima, apenas negativamente, como faculdade não sensível do conhecimento. Ora, independentemente da sensibilidade, não podemos participar em nenhuma [A 68] intuição. O entendimento não é, pois, uma faculdade de intuição.

Def. Entendimento como conhecimento por conceitos

Fora da [B 93] intuição, não há outro modo de conhecer senão por conceitos. Assim, o conhecimento de todo o entendimento, pelo menos do entendimento humano, é um conhecimento por conceitos, que não é intuitivo, mas discursivo.

Def. Conceito

Todas as intuições, enquanto sensíveis, assentam em afecções e os conceitos, por sua vez, em funções.

Def. Função

Entendo por função a unidade da ação que consiste em ordenar diversas representações sob uma representação comum.

Def. Conceitos como função

Os conceitos fundam-se, pois, sobre a espontaneidade do pensamento, tal como as intuições sensíveis sobre a receptividade das impressões.

Verdade negativa como pedra de toque negativa do conhecimento

Ora a lógica geral resolve nos seus elementos todo o trabalho formal do entendimento e da razão e apresenta-os como princípios de toda a apreciação lógica do nosso conhecimento. Esta parte da lógica pode pois chamar-se analítica e é, por isso mesmo, a pedra de toque, pelo menos negativa, da verdade, na medida em que, primeiramente, comprovar e avaliar com base nestas regras, todo [B 85]o conhecimento, quanto à sua forma, antes de investigar o seu conteúdo para descobrir se em relação ao objeto contém uma verdade positiva.

Verdade positiva como verdade material ou objetiva

Como, porém, a simples forma do conhecimento, por mais que concorde com as leis lógicas, é de longe insuficiente para constituir a verdade material (objetiva) do conhecimento, ninguém pode atrever-se a ajuizar dos objetos apenas mediante a lógica, e a afirmar seja o que for antes de sobre eles ter colhido, fora da lógica, uma informação aprofundada, para depois tentar simplesmente a sua utilização e conexão num todo coerente, segundo as leis lógicas ou, melhor ainda, para os examinar em função destas leis.

Diferença entre sensibilidade entendimento

Por intermédio, pois, da sensibilidade são-nos dados objetos e só ela nos fornece intuições; mas é o entendimento que pensa esses objetos e é dele que provêm os conceitos.

A origem a posteriori da matéria do fenômeno e a origem a priori de sua forma

Uma vez que aquilo, no qual as sensações unicamente se podem ordenar e adquirir determinada forma, não pode, por sua vez, ser sensação, segue-se que, se a matéria de todos os fenômenos nos é dada somente a posteriori, a sua forma deve encontrar-se a priori no espírito, pronta a aplicar-se a ela e portanto tem que poder ser considerada independentemente de qualquer sensação.

Referência do juízo ao objeto

Sejam quais forem o modo e os meios pelos quais um conhecimento se possa referir a objetos, é pela intuição que se relaciona imediatamente com estes e ela é o fim para o qual tende, como meio, todo o pensamento. Esta intuição, porém, apenas se verifica na medida em que o objeto nos for dado; o que, por sua vez, só é possível, [pelo menos para nós homens,] se o objeto afetar o espírito de certa maneira.

(…) contudo, o pensamento tem sempre que referir-se, finalmente, a intuições, quer diretamente (directe), quer por rodeios (indirecte) [mediante certos caracteres] e, por conseguinte, no que respeita a nós, por via da sensibilidade, porque de outro modo nenhum objeto nos pode ser dado.

A noção de objeto referido

(como “matéria”pertencente à sensação (impenetrabilidade, dureza, cor, etc…) Assim, quando separo da representação de um corpo o que o entendimento pensa dele, como seja substância, força, divisibilidade, etc., e igualmente o que pertence à sensação, como seja [A 21]  impenetrabilidade, dureza, cor, etc., algo me resta ainda dessa intuição empírica: a extensão e a figura. Estas pertencem à intuição pura, que se verifica a priori no espírito, mesmo independentemente de um objeto real dos sentidos ou da sensação, como simples forma da sensibilidade.

Fonte:

Rafael Botelho

Eu lhe pergunto novamente: você realmente está em um caminho espiritual?

Então…

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Revisão: Sr.Black

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