Imagem retirada do Google
Dentro do hinduísmo e dos vedas, há muitos deuses e formas de divindade.
Mas, dentre tantos, uma em especial chama a atenção por sua presença constante em nossa vida – esta é Maa Kali, a Mãe Negra.
Conta a história que, há muito tempo, havia um temível demônio que enganou o grande Deva Shiva após uma longa meditação, passando-se por seu servo.
Admirado com tamanha devoção, o senhor Shiva concedeu ao demônio uma graça, para que, de cada gota de seu sangue, milhares de outros iguais a ele nasceriam.
Usando-se de tal poder, o demônio assolou o mundo com terror e morte.
Irado por ter sido iludido pela criatura, Shiva juntou toda a sua ira, e rogou aos outros deuses que emanassem suas energias junto a ele.
Assim, nasceu Kali, terrível e brutal.
Armada com a força de todos os deuses, ela partiu à luta.
Em sua fúria, destruiu tudo quanto havia em seu caminho sem sequer se indagar se era inimigo ou aliado.
Decapitou todos os demônios e, com suas cabeças, fez um colar o qual usou como ornamento, e bebeu de cada um o seu sangue para que não mais renascessem. Entorpecida pelo calor da batalha e o sabor da vitória, ela começou uma dança frenética, pisoteando os cadáveres de seus oponentes caídos, e é dito que, a cada passo que dava, todos os mundos estremeciam e homem e mulheres desesperavam-se em terror e medo. Vendo isso, Shiva se lançou aos pés de Kali para que ela cessasse sua ira.
Quando percebeu que pisoteava o deus Shiva, ela voltou a si e tornou a sua calma.
Kali, então, faz-se como a representação de nossa natureza material mais bárbara e brutal. Ela representa o nosso desejo físico, nosso aspecto mundano, e nossa força interior.
Ela não é uma entidade de maldade, mas sim e força em seu sentido mais bruto.
Ela vive dentro de cada um de nós, e no mundo a nossa volta.
Kali é a força que nos prende a esse mundo e nos cega, não por ser negativa no mal sentido da palavra, mas porque, assim como Kali estava eufórica na batalha contra o demônio, nós estamos eufóricos no gozo de nossos sentidos físicos.
Kali é a representação desses sentidos.
Ela é a personificação de todos os prazeres mundanos e do desejo material que entorpece o espírito e o prende à vida terrena.
Não se deve enfrentar nossa Kali interior de forma direta.
Para nos libertarmos desse êxtase material, dessa euforia mundana, devemos aprender a reconhecer a Kali dentro de nós, e aprender a respeitar a sua força.
Reconhecer, não alimentar.
Pois compreendendo-a e aprendendo a aceitá-la, despertaremos para a sua origem, assim como Kali despertou após pisotear Shiva.
Conhecendo-a, podemos então compreender a divindade por trás dela, sua Fonte Primeira, e nos voltarmos novamente a Deus.
Negar a Kali é fortalecê-la, da mesma forma que um homem que nega seu pecado, peca duas vezes, a primeira por cometer o ato e a segunda, por mentir sobre ele.
Mas o homem que reconhece e aceita seu pecado, que reconhece e aceita seus desejos materiais, e os respeita, reconhece seus erros e está pronto para mudar.
Ele não voltará a cometê-los por ignorância.
Busquemos então compreender o que somos como o somos.
Somente assim pode o ser libertar-se de sua própria natureza material.

Revisão:SR.Black

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