Missões espaciais tripuladas sempre foram muito exploradas pela indústria cinematográfica. Dezenas de filmes de ficção científica retratam viagens a planetas distantes, entusiasmando telespectadores com a possibilidade de desbravarmos o espaço no futuro.

Contudo, por mais emocionante que seja a perspectiva de viajar pelo cosmos, as missões espaciais prolongadas ainda permanecem no campo das ideias. Definitivamente, ainda não temos todas as inovações tecnológicas necessárias para que isso aconteça.

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De 2 em 2 anos, Marte e Terra alcançam o ponto mais próximo, chamado de “oposição”, atingindo 55.000.000 km de distância. Ainda assim, é muito longe – e uma viagem pode durar até 10 meses. Sem dúvida, o tempo necessário para alcançar o destino é uma questão que não pode ser desconsiderada.

Os cientistas sabem que manter todos os membros da tripulação acordados durante uma missão até Marte envolve um grande volume de alimentos, água e oxigênio. O problema é que ainda não temos a tecnologia para viabilizar viagens espaciais prolongadas.

Outro problema diz respeito ao impacto psicológico que as missões de longo prazo podem gerar nos tripulantes. Os viajantes espaciais podem sofrer depressão, claustrofobia e ansiedade, o que poderá prejudicar a viagem e colocar em risco os demais passageiros.

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A ficção científica procura evitar estes cenários colocando os exploradores espaciais em sono profundo – um estado de animação suspensa. Contudo, desacelerar o metabolismo humano, garantindo que o tripulante fique vivo por longos períodos, é algo bem mais fácil de dizer do que fazer.

De todas as iniciativas até hoje divulgadas, a SpaceWorks é uma das que mais promete revolucionar a exploração no cosmos. A empresa, liderada por John A. Bradford, almeja encontrar uma maneira de hibernar equipes em viagens espaciais prolongadas.

Hipotermia terapêutica

A empresa propõe um método chamado hipotermia terapêutica. O processo envolve esfriar lentamente o corpo para 32-34º C – geralmente um grau por hora – para diminuir a frequência cardíaca e reduzir a pressão arterial.

O método já está sendo utilizado em hospitais para tratar pacientes com paradas cardíacas ou lesões cerebrais traumáticas. Durante o período de resfriamento, os médicos têm mais tempo para resolver os problemas.

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Um paciente normalmente permanece em estase por 2-4 dias. Em situações excepcionais, quando existe a real necessidade, um paciente pode ficar em hipotermia até duas semanas. O japonês Mitsutaka Uchikoshi chegou a sobreviver 24 dias em estado de “hibernação”.

Sabendo de todos esses dados, a SpaceWorks acredita ser capaz não apenas de estender o período de “hibernação” para meses, como também de desenvolver a tecnologia necessária para automatizar o processo de hipotermia e aplicá-lo em missões espaciais de longa duração.

O futuro das viagens espaciais

Ao contrário das cápsulas de hibernação retratadas em filmes de ficção científica, na qual os viajantes espaciais são deixados individualmente em animação suspensa, a SpaceWorks está projetando uma câmara aberta para permitir que a equipe entre em estase por turnos.

A equipe da SpaceWorks entrevistou especialistas médicos e a maioria deles concorda que ciclos mais curtos e repetidos de entrada e saída de estase seriam mais seguros do que um único ciclo prolongado. Assim, ao contrário dos filmes de Hollywood, na vida real a tripulação não dormiria durante todo o voo.

Enquanto parte da equipe ficaria adormecida, outra parte ficaria acordada. O conceito evita adicionar muito peso na aeronave e também garante que sempre haja pessoas atentas para monitorar os tripulantes (em hibernação) e gerenciar eventuais emergências durante a missão.

Se a equipe estiver adormecida, isso reduz a quantidade de alimentos e os sistemas de suporte vital, reduzindo significativamente (…) os custos. – John A. Bradford

Existem ainda muitos obstáculos a superar. Nossos corpos não são projetados para ambientes de baixa gravidade. No espaço, nossos ossos e músculos podem perder massa gradualmente, e os cientistas ainda estão descobrindo como superar todos estes desafios.

Acreditamos que, com uma tripulação de quatro a seis pessoas, a massa de um habitat pode ser reduzida para 5 a 7 toneladas, comparada com 20 ou 50 toneladas”, escreveu John Bradford, da empresa Spaceworks Engineering, autor da proposta.

O financiamento para a pesquisa saiu do programa Niac (Conceitos Avançados Inovadores da Nasa), que só banca projetos arriscados.

A proposta de Bradford, que fala em “torpor induzido” e “animação suspensa”, em vez de hibernação, receberá US$ 100 mil no primeiro ano, no qual precisa apresentar uma prova de princípio. Caso tenha sucesso, receberá mais US$ 1 milhão para um período de dois anos.

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O avanço recente da medicina impulsiona a habilidade de induzir estados de sono profundo (por exemplo, o torpor) com taxa de metabolismo significativamente reduzida, em humanos, por grandes períodos de tempo”, escreve Bradford.

O pesquisador também menciona a “animação suspensa para voos humanos interestelares” como uma “solução promissora de longo prazo para viagens espaciais de longa duração”.

Ursos Negros

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Pesquisadores da Universidade do Alasca descobriram que os ursos negros reduzem a temperatura corporal levemente durante esse período, mas sua atividade metabólica fica muito abaixo dos níveis de outros animais que também hibernam.

Segundo os autores, essa descoberta – publicada na revista “Science” na reunião anual da Associação Americana para o Avanço das Ciências (AAAS) – foi inesperada, já que os processos químicos e biológicos de um organismo se desaceleram normalmente em 50% por cada 10 graus de redução da temperatura corporal. No entanto, segundo o estudo, a temperatura corporal desses ursos diminuiu só cinco ou seis graus, e o metabolismo foi desacelerado em 75% em comparação com sua atividade normal.

Nessa época, esses animais respiram apenas uma ou duas vezes por minuto, e o coração se desacelera entre as respirações. Os cientistas descobriram que a atividade metabólica dos ursos continuou em níveis mais baixos várias semanas após o fim da hibernação.

Essa descoberta levou os pesquisadores a pensarem que isso poderia ser útil para os humanos no futuro, e eles constataram que a aplicação dos mecanismos de supressão metabólica em situações de emergência poderia salvar vidas.
Reduzir a atividade metabólica das vítimas de um derrame cerebral poderia deixar o paciente em um estado estável e protegido, o que daria aos médicos mais tempo para o tratamento, e grande expectativa para futuras viagens espaciais prolongadas.

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Revisão:SR.Black

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